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Equipe de natação dos EUA levará 11 adolescentes à Olimpíada; conheça os novos talentos

A composição do elenco reflete uma mudança geracional, enquanto os americanos aprendem a viver sem Michael Phelps

Karen Crouse, The New York Times

02 de julho de 2021 | 15h00

OMAHA, Nebraska - Não fosse pela pandemia, a adolescente Lydia Jacoby teria ido à Olimpíada de 2020 como uma torcedora, de férias com os pais. Apesar de ter superado o tempo para se colocar entre as 100 melhores posições no nado peito, nas qualificatórias americanas para os Jogos, dois anos antes, como uma precoce atleta de 14 anos, Lydia corria contra o tempo no inverno de 2020, diante de poucos meses para conseguir melhorar de maneira considerável suas marcas pessoais e poder disputar seriamente uma vaga no time que representaria os EUA em Tóquio.

O adiamento da Olimpíada ocasionado pela pandemia de coronavírus trabalhou a favor de Lydia, possibilitando que ela se fortalecesse com musculação e mais um ano de maturidade física. Os benefícios do atraso de um ano para estreantes nas qualificatórias, como Lydia, mostraram-se incontestáveis no oitavo dia de competições, no CHI Health Center, que terminaram no domingo.

Lydia, 17 anos, foi uma entre 11 adolescentes - o maior número desde 1996 - que ganhou lugar na equipe de 50 nadadores dos EUA. Naquela época, como agora, os EUA recarregavam as baterias, após a aposentadoria de um talento único.

Em 1996, era o nadador Matt Biondi, que ganhou 11 medalhas nas três Olimpíadas que disputou, incluindo sete em 1988, que deixava o esporte. Neste ano, pela primeira vez desde 1996, Michael Phelps, que conquistou 28 medalhas olímpicas, não disputará os Jogos.

Trinta nadadores da equipe olímpica de 2016 retornaram em 2021 para disputar lugares no time; 15 não conseguiram, incluindo Nathan Adrian, de 32 anos, ganhador de cinco medalhas de ouro em Olimpíadas que terminou em terceiro lugar, 0,25 segundo atrás de Michael Andrew, na final da disputa de 50 metros em nado livre, no domingo, vencida por Caeleb Dressel.

Dressel foi um dos três nadadores a se qualificar em pelo menos três estilos individuais (50 e 100 metros livre e 100 metros borboleta). Os outros foram Katie Ledecky (200, 400, 800, 1.500 metros livre) e Michael Andrew (50 metros livre, 100 peito e 200 medley individual).

E pela segunda vez seguida nas Olimpíadas, a equipe americana de natação incluirá Simone Manuel, que garantiu seu lugar na final feminina de 50 metros livre. Simone, 24 anos, que ganhou medalha de prata em 2016 nos 50 metros livre, superou Abbey Weitzeil, que tinha vencido a disputa preferida de Simone, os 100 metros livre, na sexta-feira, após Simone, que empatou em primeiro lugar na Olimpíada de 2016, não passar das semifinais nessa competição.

Simone, cujo condicionamento foi severamente comprometido por uma síndrome de sobretreinamento, revelou sua aflição em uma entrevista coletiva na noite da quinta-feira. Ela reconheceu a vulnerabilidade após seis meses tentando perseverar, mas exibiu seu conhecido estilo corajoso na disputa dos 50 metros livre.

“Tentei nadar com a mente relaxada e o coração leve nos 50 metros, e compartilhar minha história me permitiu provar para mim mesma que sou capaz de lutar por um lugar na equipe”, afirmou. “Tento ser uma Simone melhor a cada dia.”

Veteranos carregados de expectativas foram mais afetados pelo interregno olímpico do que jovens, como a vencedora dos 100 metros borboleta, Torri Huske, de 18 anos, que dobrou origamis nos 30 minutos que antecederam suas provas.

“Não quero pensar em nadar até que esteja me aquecendo”, afirmou Huske. “E mesmo durante esses momentos, sinto que quero bloquear tudo até tipo 15 minutos antes.”

Juntamente com prodígios aquáticos como Huske, o time feminino concentrou algumas nadadoras mais experientes, que pensavam estar no fim de sua carreira no esporte cinco anos atrás. Entre elas está Allison Schmitt, no nado livre, que se tornou a quinta mulher - atrás de Dara Torres, Jenny Thompson, Jill Sterkel e Amanda Beard - a se qualificar para a equipe olímpica pela quarta vez, depois de trancar um mestrado em serviço social que iniciou após retornar da Olimpíada do Rio de Janeiro.

Annie Lazor, do nado peito, e a nadadora de provas rápidas de estilo livre Natalie Hinds tinham se aposentado após desempenhos decepcionantes nas qualificatórias para 2016 que as deixaram fora da equipe olímpica. Elas decidiram voltar para a natação depois de perceber que não estavam prontas para carreiras pós-esportivas. Então, quem sabe? Talvez alguns nadadores que saíram devastados dessas qualificatórias por ter ficado de fora da equipe olímpica reapareçam daqui a três anos, para disputar uma posição no time olímpico dos EUA que irá a Paris, em 2024.

“Essa parte foi difícil”, afirmou Dressel, que também é qualificável para integrar o time olímpico quatro vezes. Ele se referia ao estresse desse evento, que é considerado mais desgastante do que as próprias Olimpíadas, por causa da quantidade enorme de talentos nos EUA.

Dressel afirmou que ficou triste por ver ex-colegas olímpicos como Ryan Lochte, com quem treinava, não conseguir se classificar. Ao mesmo tempo, acrescentou Dressel, a adição de sangue novo à equipe é revigorante.

“Temos pessoas de diferentes origens, diferentes idades, diferentes clubes e de todas as partes dos EUA - e estamos nos tornando uma equipe”, afirmou ele. / Tradução de Augusto Calil

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