Kim Hong-Ji/ Reuters
Kim Hong-Ji/ Reuters

Érica Sena é punida na última volta, perde a medalha na marcha atlética em Tóquio e chora

No momento em que recebeu punição, brasileira brigava pela medalha de prata e teve de parar por dois minutos, o que a levou para a 11ª posição

Ricardo Magatti, Estadão Conteúdo

06 de agosto de 2021 | 06h36

Érica Sena viveu nesta sexta-feira uma das maiores frustrações de um atleta brasileiro nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Ela estava perto de ganhar uma medalha na marcha atlética feminina dos 20 km, mas recebeu a terceira advertência nos metros finais do percurso, teve de parar por dois minutos e terminou a prova na 11ª colocação, com o tempo de 1h31min39, perdendo o terceiro lugar para a chinesa Hong Liu, que marcou 1h29min57. Ela chorou enquanto esperava para voltar.

O ouro foi para Antonella Palmisano, da Itália (1h29min12), país que também venceu a prova masculina na quinta-feira, e a prata ficou com a colombiana Lorena Sandra (1h29min37).

Érica fez uma excelente prova, esteve durante quase todo o percurso no pelotão da frente e chegou a liderar em alguns momentos. Na reta final, acelerou as passadas e passou a chinesa com a qual disputava o terceiro lugar. No entanto, a poucos metros para cruzar a linha de chegada, no momento em que aumentava o ritmo para buscar a prata, a brasileira foi penalizada com a terceira advertência que obrigou a marchadora a fazer uma parada de dois minutos e a tirou do pódio. Entenda como funciona a marcha atlética.

"Queria muito esse resultado, a marcha atlética brasileira precisava muito disso e eu dei tudo de mim na competição. Estou contente porque hoje fiz a melhor prova da minha vida. Me considero uma vencedora. Tive um ano muito difícil, treinei com muitas dores, pensei em parar", disse a brasileira após a prova. 

Na marcha atlética, o competidor não pode tirar os dois pés do chão. Quando um sai do solo, o outro começa o movimento e o joelho da perna que dá a passada não pode ser flexionado até que o movimento seja realizado por completo. Vários juízes ficam espalhados ao longo do percurso para aplicar as eventuais advertências. A terceira sanção obriga o atleta a parar por dois minutos. Essa punição tirou a medalha do peito da brasileira.

A pernambucana concluiu os 20 km na 11ª colocação e chorou bastante depois de cruzar a linha de chegada, frustrada com o que havia acontecido. Muito chateada, ela não quis falar com os jornalistas após a prova realizada na cidade de Sapporo, distante mais de 800 km de Tóquio. A cidade recebeu a disputa porque tem um clima um pouco mais ameno do que a capital japonesa. Ainda assim, fez muito calor durante a marcha atlética.

Érica é a melhor marchadora da história do Brasil, com várias conquistas importantes. Foi sexta colocada no Mundial de Pequim, quarta nos Mundiais de Londres-2017 e de Doha-2019 e sétima nos Jogos Olímpicos do Rio-2016, além de medalhista em Jogos pan-americanos. Neste ano, em março, a poucos meses da Olimpíada, obteve a melhor marca sul-americana dos 35 km na marcha atlética.

Érica, de 36 anos, é treinada pelo marido, o equatoriano Andrés Chocho, recordista sul-americano dos 50 km da marcha, e mora em Cuenca, no Equador. A brasileira disputou a sua segunda edição de Jogos Olímpicos.

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