Pedro Brandão/X3M
Pedro Brandão/X3M

Escalada sonha ser a surpresa do Brasil na Olimpíada em Tóquio

Atletas da modalidade de pouca tradição no País tentam vaga nos Jogos e acreditam que podem fazer bom papel

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2020 | 17h00

A meta do Comitê Olímpico do Brasil (COB) de levar cerca de 300 atletas aos Jogos Olímpicos de Tóquio depende, claro, de confirmar a classificação em esportes que o País tem tradição, em especial os coletivos. Mas é a conquista de vagas em modalidades menos conhecidas por aqui que pode fazer a diferença na busca por uma delegação mais encorpada na Olimpíada. E uma das esperanças é a escalada esportiva, que estreia no programa dos Jogos este ano.

O Brasil buscará classificação nesse esporte no próximo mês, na disputa do Pan-Americano que acontecerá na cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos. Os donos da casa são referência na escalada no continente americano e favoritos à conquista do Pan - que dará vaga na Olimpíada apenas para o campeão -, mas eles já garantiram presença em Tóquio graças a bons desempenhos no Mundial e no Torneio de Toulouse.

Com isso, os norte-americanos deixaram de ser adversários no caminho para a Olimpíada japonesa. Ainda assim, a classificação olímpica está longe de ser uma garantia para os brasileiros. “A concorrência é bem acirrada. Argentina, Chile, Canadá e Equador são adversários fortes”, explica Luana Riscado, atleta da seleção brasileira que estará na competição e que sonha em disputar os Jogos de Tóquio. “O ápice da carreira de qualquer atleta é participar de uma Olimpíada.”

Aposta. A equipe brasileira tem como principal aposta o paulista Cesar Grosso, que atualmente mora na Itália - ele se mudou para o país europeu em busca de melhores condições de treinamento. “Na Europa, a escalada é muito tradicional. Na França, por exemplo, todas as escolas têm escalada nas atividades de educação física. Todas as crianças francesas já escalaram alguma vez na vida”, conta Grosso.

Há dois finais de semana, Cesar disputou um torneio de escalada de velocidade na cidade de Niterói, mas não foi bem - caiu na primeira eliminatória ao perder para outro brasileiro, Lucca Macedo. Apesar disso, o paulista tem colecionado bons resultados em competições oficiais e é o recordista brasileiro na escalada de velocidade, com a marca de 7s14.

Mesmo reconhecendo que a tarefa é bastante complicada, ele demonstra confiança na classificação para a Olimpíada. “Temos que vencer o Pan-Americano. É difícil, a gente sabe, mas temos chances.”

Olimpíada. A escalada olímpica será disputada unindo três disciplinas: velocidade, dificuldade e boulder. Cada atleta participará de cada uma das modalidades, e o vencedor será o que tiver melhor desempenho no conjunto.

Cesar Grosso explica as particularidades de cada uma. “A velocidade é basicamente uma corrida na parede. São dois muros iguais (de 15 metros de altura), e quem chegar primeiro ganha. A escalada bolder é uma modalidade de mais força. São muros mais baixos, de até quatro metros de altura, e a gente não usa cordas. E a modalidade mais tradicional de escalada é a em via com muros altos, de 15 a 20 metros de altura, inclinados pra trás. O que conta mais é força e resistência. São vários minutos escalando”, destaca.

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