Philip Fong/AFP
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Especialista japonês mostra pessimismo com disputa dos Jogos de Tóquio em 2021

O Infectologista japonês Kentaro Iwata acredita que é improvável que a Olimpíada ocorra mesmo no ano que vem

AFP, AFP

20 de abril de 2020 | 16h46

O infectologista japonês Kentaro Iwata, crítico da gestão da pandemia do coronavírus pelas autoridades de seu país, afirmou nesta segunda-feira estar "muito pessimista" com a possibilidade de que os Jogos Olímpicos de Tóquio, adiados em um ano, possam ser realizados em julho de 2021.

"Honestamente, não penso que seja provável que os Jogos Olímpicos ocorram no ano que vem", declarou Iwata, professor do departamento de doenças infecciosas da Universidade de Kobe (oeste), durante coletiva de imprensa pela internet.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) tomou no final de março a decisão histórica de adiar os Jogos (que deviam inicialmente começar em 24 de julho de 2020) devido às preocupações crescentes com a crise de saúde mundial. A nova data escolhida é de 23 de julho e a 8 de agosto de 2021.

Nos últimos dias, diante da evolução mundial da doença, surgiram dúvidas sobre a possibilidade de organizar o maior evento esportivo mundial, mesmo que seja daqui a um ano.

"Os Jogos Olímpicos precisam de duas condições: controlar a covid-19 no Japão e no resto do mundo, já que se convidará atletas e espectadores do mundo inteiro", afirma Iwata. "O Japão poderia estar em condições de controlar a doença até o próximo verão (japonês, em junho), eu espero, mas não acredito que isso possa acontecer em todos os lugares do planeta e por isso sou muito pessimista em relação à organização dos Jogos Olímpicos em 2021", completou o especialista.

A única possibilidade seria, ainda segundo Iwata, organizar os Jogos respeitando novas medidas de contenção, como, por exemplo, realizar o evento "sem espectadores ou com uma participação muito limitada de espectadores".

Questionados pela AFP, os organizadores dos Jogos de Tóquio garantiram novamente nesta segunda-feira que a missão é "preparar o evento para o verão do ano que vem". Os organizadores acrescentaram que "não acreditamos ser apropriado responder a perguntas especulativas" e afirmaram que o Comitê Organizador e o COI "cooperam estreitamente com a Organização Mundial da Saúde (OMS) para elaborar medidas de combate à covid-9", 

"Não há plano B", havia declarado na semana passada à imprensa Masa Takaya, um porta-voz do Comitê Organizador da Olimpíada.

Iwata já havia sido manchete em fevereiro, quando classificou de "totalmente caóticas" as medidas implementadas pelo governo japonês no caso do Diamond Princess, o navio de cruzeiro com mais de 3.700 pessoas a bordo que foi colocado em quarentena no porto de Yokohama. Mais de 700 pessoas ficaram infectadas a bordo e 13 morreram.

Iwata, porém, não é o único especialista a expressar dúvidas sobre a possibilidade de Tóquio poder organizar o megaevento em 2021. Na última semana, Devi Sridhar, professora de saúde pública da Universidade de Edimburgo, na Escócia, classificou como "irreal" pensar que os Jogos poderiam acontecer em 2021, a não ser que uma vacina "acessível" para todos estivesse disponível, em declarações para a BBC.

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