Patrick B. Kraemer/EFE
Patrick B. Kraemer/EFE

Especialistas apostam em bons resultados da natação no Rio

Brasileiros têm chance de medalha olímpica em várias provas

Almir Leite, Nathalia Garcia, Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2015 | 17h00

Na frieza dos números, a pálida participação da natação brasileira no Mundial de Esportes Aquáticos de Kazan, que termina hoje, poderia representar uma ducha de água fria quando se mira a Olimpíada. Porém, observação mais profunda dos resultados - apesar de os tempos dos atletas na Rússia terem sido de maneira geral inferiores por exemplo aos do Pan de Toronto - abre a possibilidade de uma boa participação no Rio.

A análise é do quatro vezes medalhista olímpico Gustavo Borges e do supervisão de natação do Pinheiros, André Ferreira. Borges considera consistente o trabalho que vem sendo desenvolvido na natação, e entende que o desempenho no Mundial tem peso relativo. “É claro que a gente gostaria de ter tido um Mundial melhor, mas de forma geral conseguimos resultados expressivos. A expectativa (para a Olimpíada) é boa.’’

Posição semelhante tem Ferreira, que está em Kazan acompanhando o Mundial. “O Brasil teve ótimos resultados no Pan e também está conseguindo resultados interessantes no Mundial’’, afirmou ao Estado, por telefone, na sexta-feira.

Em Toronto, os brasileiros amealharam 26 medalhas, 10 delas de ouro - foi o esporte que mais deu medalhas ao País. Na Rússia, nos seis primeiros dias de disputa, foram apenas três medalhas, todas de prata: Thiago Pereira, nos 200 m medley; Nicholas Santos, nos 50 m borboleta; e Etiene Medeiros, nos 50 m costas. E os tempos obtidos agora, de maneira geral, foram inferiores aos conseguidos no Canadá.

Para Ferreira, não é algo preocupante. “Fatores como viagem, a condição física, aspecto emocional... isso influi. E depois de uma competição tão boa como o Pan é normal que se baixe a guarda.’’

Na natação, há um período conhecido como polimento, uma fase em que os atletas reduzem o ritmo para ter maior velocidade num momento específico. No caso dos brasileiros, esse período de descanso começa a ser considerado, porque os competidores precisam, a partir de agora, estar na ponta dos cascos em dois momentos: no Open de Natação, em dezembro, e no Troféu Maria Lenk, em abril de 2016. Essas serão as duas competições em que os atletas buscarão índice para os Jogos. 

Para os brasileiros, o Mundial foi marcado pela contusão do principal nadador, Cesar Cielo, que abandonou a competição frustrado por um sexto lugar nos 50 m borboleta e por não tentar o tetra nos 50 m livre. Mas o País teve bons resultados - do ponto de vista da performance - com Marcelo Chierighini, Bruno Fratus, Etiene Medeiros, e Manuela Lyrio, entre outros.

Fator casa

Além da preparação que prevê períodos de intercâmbio, treinos intensivos e disputa de competições de alto nível, outro fator pode ajudar as braçadas dos brasileiros no Rio: nadar diante da torcida. Ferreira lembra que a Austrália ganhou várias medalhas em 2000 (Sydney), a China em 2008 (Pequim) e a Grã-Bretanha em 2012 (Londres). Disputaram a Olimpíada em casa, e desde então mantêm-se fortes.

"Competir em casa será bom. Claro que haverá grande expectativa da torcida, e isso cria pressão. Os atletas estão ligados nisso. Mas nadar em casa vai nos ajudar a conseguir bons resultados’’, aposta o treinador. 

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