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Esperança de medalha, pugilista vira profissional

O baiano Everton Lopes, cotado para o título olímpico nos Jogos Olímpicos do Rio em 2016, assina contrato com a Golden Boy

Demétrio Vecchioli, O Estado de S. Paulo

06 de janeiro de 2015 | 07h00

Faltando um ano e meio para os Jogos Olímpicos, o boxe do Brasil recebeu um duro golpe. Segundo colocado do ranking mundial entre os meio-médios-ligeiros (até 64kg) e campeão mundial em 2011, o baiano Everton Lopes assinou contrato com a promotora Golden Boy, da lenda Oscar de la Hoya, e tornou-se um boxeador profissional. Assim, não pode mais competir nos Jogos do Rio, em 2016, e em nenhum evento ligado à Aiba (Associação Internacional de Boxe Amador), que organiza o Mundial Amador.

A decisão já era esperada por membros da seleção brasileira de boxe depois que Everton se recusou a assinar para lutar na APB, a Aiba Pro Boxing, liga semiprofissional criada pela entidade máxima do boxe amador exatamente para evitar a migração de atletas para o pugilismo profissional. Para participar da competição, que começou em outubro e terá seus primeiros cinturões definidos neste mês, ele teria de assinar um contrato com uma polpuda cláusula de rescisão. Foi o único brasileiro a rejeitar o convite - Robson Conceição, Patrick Vieira e Robenilson de Jesus estão na liga.

João Carlos Barros, o técnico guineense da seleção brasileira de boxe, já via Everton desmotivado nos últimos meses. "Tanto é que ele só participou de duas competições recentemente", conta. O treinador estava na China, com Patrick Lourenço, para uma luta da APB, quando recebeu por Whatsapp uma foto de Everton sorridente, assinando o seu novo contrato nos Estados Unidos.

Isso ocorreu em 18 de dezembro e até agora Everton não comunicou o técnico da seleção sobre sua decisão. “Achei que ele ia ficar até a Olimpíada e só fosse para o boxe profissional depois de ganhar o ouro”, conta o treinador, que admite ter ficado “muito chateado” com a decisão do atleta. Até ontem, a CBBoxe (Confederação Brasileira de Boxe) também não havia sido informada por Everton da sua saída.

Número dois do ranking mundial, atual campeão pan-americano, ouro no Mundial de 2011 e bronze no de 2013, Everton era visto pela CBBoxe como medalha certa na Olimpíada, depois de eliminações precoces em Pequim e Londres. “Era a medalha que faltava para ele”, lamenta o treinador. Na Golden Boy, ele fará companhia a Yamaguchi Falcão - Esquiva Falcão luta pela Top Rank.

Diferentemente dos irmãos Falcão, porém, Everton não podia reclamar de falta de apoio. Ele recebia R$ 15 mil mensais da Bolsa Pódio (governo federal), salário como marinheiro (Forças Armadas) e um "subsídio" da CBBoxe, pago pela Petrobrás. Na APB, ganharia no mínimo US$ 3 mil (R$ 8,1 mil) por luta. O cinturão, especula-se, vale US$ 100 mil (R$ 270 mil) - Robenilson, por exemplo, está a uma luta de faturar o prêmio.

A saída de Everton da seleção, porém, vai abrir espaço para o paulista Joedison Teixeira. Chocolate, como é chamado, vem de títulos nos Jogos Mundiais de Combate (2013, na Rússia), no Festival Olímpico Pan-Americano (2014, no México) e no Leszek Drogsz Memorial (2014, na Polônia), mesmo sendo reserva da seleção. Também venceu o Pan-Americano Júnior de 2012 e faturou o título brasileiro do ano passado.

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