Washington Alves (CBAt)
Washington Alves (CBAt)

Passagem de bastão vira trunfo por medalha

Equipes masculina e feminina são aposta para medalha

Gonçalo Junior e Nathalia Garcia, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2016 | 05h00

O revezamento 4 x 100 m (masculino e feminino) é uma das apostas da Confederação Brasileira de Atletismo. O diferencial das equipes não é exatamente a velocidade, pois o Brasil não tem grandes velocistas na casa dos 100 m (no masculino, nenhum brasileiro correu na casa dos 9s). O grande trunfo é o entrosamento e a harmonia entre os corredores, principalmente na passagem de bastão.

“Tivemos um upgrade na modalidade nos últimos anos. Nosso revezamento pode surpreender”, diz Antonio Carlos Gomes, supervisor de Alto Rendimento da confederação.

Os especialistas apostam principalmente na passagem do bastão que representa, a grosso modo, 40% da prova. Existem várias formas de passá-lo. Hoje, o Brasil usa a técnica chamada “empurre”. O corredor que vai receber o bastão estende um dos braços para trás com a mão espalmada; o de trás empurra o bastão na mão do companheiro, daí o nome. “É uma passagem mais rápida que as outras”, explica Adriano Vitorino, técnico do time feminino.

O entrosamento do masculino se explica também por relações familiares. Jorge Vides e Vitor Hugo são amigos desde a adolescência e foram formados na Vila Olímpica Manoel José Gomes Tubino do Mato Alto, na zona oeste do Rio de Janeiro. Sempre correram juntos. Além disso, são quase parentes, pois a irmã de Jorge é namorada de Vitor há cinco anos.

 O otimismo da confederação se apoia também no perfil dos competidores. Correr os 4 x 100 m não significa correr só cem metros. O segundo e o terceiro atletas precisam manter a velocidade por uma distância maior do que isso, cerca de 130, 140 metros. No masculino, Aldemir Gomes e Bruno Lins, dois dos principais velocistas do Brasil atualmente, são atletas cujos melhores resultados apareceram nos 200 m rasos. No feminino, o Brasil não tem atletas no top 10 no ranking mundial na prova dos 100 m. 

No feminino, o Brasil não tem atletas no top 10 no ranking mundial na prova dos 100 m, mas as quatro se completam. Ana Cláudia manteve o ritmo forte mesmo fora das competições por conta do afastamento por doping. Correu 11s14, melhor tempo do país no ano. Rosângela Santos se destaca pela regularidade e está sempre entre 11s10 e 11s30. O desempenho de Franciela, que se recuperou de dengue, é o “x” da questão. O quarto nome na prova ainda não está definido e pode ser Kaiuza, Victória Rosa ou Bruna Farias.

PASSADO

A confiança de hoje é compartilhada pelos atletas que já conquistaram medalhas. Na prova masculina, o Brasil foi bronze em Atlanta em 1996, com Arnaldo Oliveira, Robson Caetano, Édson Luciano Ribeiro e André Domingos. Quatro anos, em Sydney/2000, Edson Luciano, Vicente Lenilson, Claudinei Quirino e André Domingos, ficaram com a prata, perdendo apenas para os americanos, imbatíveis na época. Treinadores daquela época afirmam que a média dos tempos de 2000 é parecida com as tomadas de hoje.

“Temos uma grande geração de velocistas, quase igual à de 2000. Tirando Estados Unidos e Jamaica, o resto está emparelhado”, diz André Domingos, medalhista em Atlanta. “Os dois revezamentos, masculino e feminino, têm chances de subir ao pódio”, afirma Arnaldo Oliveira, também medalha de bronze em 1996.

A campanha do bronze trouxe uma inovação para a época. A comissão técnica utilizou uma mistura das duas técnicas, ascendente e descendente, o que confundiu os adversários. “As outras equipes paravam para ver nosso treinamento”, orgulha-se André Domingos.

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