Hélvio Romero/Estadão
Branca bateu bola com a criançada, foi homenageada, se emocionou, e levou enorme alegria à Mooca Hélvio Romero/Estadão

'Esporte em Ação' invade o Alto da Mooca para clínica de basquete

Ex-jogadora Branca deixa crianças entusiasmadas com sua lição de vida

Fábio Hecico, O Estado de S. Paulo

24 de maio de 2016 | 15h07

O relógio não marcava nem 10 horas e a ansiedade já era grande no EMEF Major Silvio Fleming, no Alto da Mooca, Zona Leste. Crianças da 6ª, 7ª e 9ª séries se preparavam para algo inédito na vida: uma clínica de basquete com uma ex-jogadora. Branca, medalha de prata em Atlanta/1996 foi a escolhida para participar da sétima edição do "Esporte em Ação" (sua segunda aparição) e novamente deu um show de simpatia e aula de como ser um esportista.

Apesar da presença de uma ex-jogadora de basquete, a criançada não escondia que pouco se entusiasmava pela modalidade. Algo que rapidamente mudou com a presença, as dicas e ensinamentos de uma campeã. A lição de vida da jogadora, de superação, cativou aqueles compenetrados jovens de 12 a 16 anos.

E também surpreendeu a convidada ilustre. Desde a marcação do evento, a escola resolveu não fazer feio diante de uma celebridade.

E, como bom hospedeiro, 'se armou' para mostrar receptividade. Branca virou tema de trabalho para que os jovens soubessem um pouco mais de sua carreira. Os professores aproveitaram para também se informarem do assunto . Só não conseguiram segurar a euforia ao se deparar com Branca.

Na sala dos professores, foram fotos e mais fotos. Nada de selfie, para surpresa de Branca, que se divertia. "Podem pegar a medalha, se quiserem selfies, é mais fácil", mostrava satisfação com o reconhecimento. Todos fizeram questão de registrar o momento. E agradeceram a presente em seu colégio.

Como tem de ser um bom atleta, Branca chegou bem cedo ao evento. Tudo certo com os professores, hora de partir para encarar a galera. Não é fácil 'enfrentar' 250 jovens. Ao pisar na quadra limpa e organizada, com todos sentados bem comportados, ela teve recepção calorosa com salva de palmas. Ganhou um banner com fotos de sua carreira assinado por todos os alunos – "vou levar sempre comigo" - e um jarro de flores.

Se emocionou e elogiou tamanho comportamento. Falou sobre a luta do esporte, o bem que ele faz na vida de uma pessoa e deixou garotos e garotas com vontade de seguir uma carreira: de esportista. "Vocês vão ganhar, perder bastante também, mas nunca podem desistir de lugar. O esforço será sempre recompensado. E não importa como são, mesmo os mais baixinhos, não desistam. Hoje sou baixinha também nos padrões do basquete, mas provei que tamanho não é documento. Façam o mesmo."

Branca exibiu com orgulho seu maior troféu na carreira. A medalha passou de mão em mão. Muitos boquiabertos, diziam que também queriam ganhar uma. Júlio César, cara de peralta, foi o primeiro a fazer perguntas para a atleta. "Todos nós vamos ganhar medalha hoje."

Arrancou risos de todos. "Tinha de ser o Júlio César", reprovou uma professora. "Nossa, mas assim é muito fácil. Vocês terão de lutar por ela", disse Branca. O menino, então, correu para pegar uma bola e mostrar que merecia o mimo. Mal sabia que todos seriam presenteados. Mas fez questão de mostrar que merecia ganhá-lo, seguindo as ordens da professora famosa.

Com quatro cirurgias no joelho, Branca não arriscou voos na tabela, bandejas, arremessos... Apenas com palavras, primeiro ensinou como se comportar em equipe, trocando passes, sem egoísmo, depois mostrou técnica de como fazer uma cesta. Numa fila indiana, a molecada praticou, com gosto, basquete numa escola acostumada ao handebol, vôlei e futebol de salão.

A prova de que a clínica de basquete foi um sucesso e que Branca cativou a todos os presentes veio na hora de sua despedida. Precisou ser 'arrastada' pelas assessoras para fora da quadra, pois virou um grude das crianças. Saiu mandando beijinhos, retribuindo carinho e com a certeza que "Esporte em Ação" é um sucesso. Ao menos na Mooca, o dia 24 de maio será eternizado na mente de muita criança.

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Branca aposta em medalha no masculino e queria 'integração' com o feminino

Ex-atleta não quer que euforia tome conta de equipes brasileiras

Fábio Hecico, O Estado de S. Paulo

24 de maio de 2016 | 15h15

O basquete masculino brasileiro já sabe quais adversários enfrentará pelo Grupo B da Olimpíada. Na verdade, falta apenas um representante que virá da repescagem. Do mais, as fortes Argentina, Espanha e Lituânia e o perigosa Nigéria. Mesmo com enorme dificuldades, o ex-jogadora Branca acredita em grande desempenho dos comandados de Rubens Magnano.

E aposta que o time trará uma medalha, só não fala a cor. "Vai ao pódio", diz, confiante. "O campeonato de basquete masculino nosso está mais estruturado e acredito que pronto para brigar por medalha. Ainda há o fator casa, nós latinos somos bem animados, o apoio será grande", observa. Faz, apenas, uma ressalva. "Precisamos só de um tremendo cuidado para não ficar deslumbrado."

A recomendação vem justamente pela época em que ganhou a medalha de prata em 1996, nos Jogos de Atlanta. Branca lembra qu e o Brasil não se preparou para a final com os Estados Unidos. "Estávamos tão eufóricas na véspera que esquecemos do jogo. Na final, não vimos a cor da bola, perdemos por 26 pontos de diferença."

Confiante no masculino, bem pé atrás quando o assunto é o feminino. Branca não esconde uma certa mágoa com a seleção de Antonio Carlos Barbosa. A ex-jogadora acredita que poderia dar colaboração, assim como outras atletas de sua geração, por um melhor desempenho das meninas nos Jogos. "Não vou ao Rio, mas queria ir para contribuir, incentivar. E não se pode desprezar a ajuda de Paula e Hortência", enfatiza.

Ela, porém, evita críticas. Revela torcida por algumas jogadoras e também dá conselhos. "Gosto da Érika, jogadora de muita força muscular que seria bem-vinda na minha geração", fala da pivô. "Sobre os Jogos, desejo absolutamente tudo de bom, que o time seja vibrante como foi nossa geração e que tenha garra. Não há estímulo maior que disputar uma Olimpíada."

Lamenta, apenas, a ausência de testes mais fortes com pouco tempo para a disputa. "O Brasil está disputando o Sul-Americano e não é parâmetro. Precisava mais testes, pois no Rio tudo vai ser diferente e não há tempo para se arrumar dentro de uma Olimpíada."

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Crianças encontram o incentivo que faltava para os esportes

Alunos do Major Silvio Fleming sonham com carreiras como atletas

Fábio Hecico, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2016 | 15h23

De um lado, Thalessa com forte marcação em Branca, do outro, o trio de amigos Andrey, Paulo Fatel e Leonardo festejando o sonho de, enfim, encontrarem-se com a modalidade que sonham seguir carreira. Os alunos do Major Silvio Fleming, na Mooca, fazem parte do grupo dos amantes de esportes. Sonham um dia virar estrelas, mas precisavam de um empurrãozinho.

E ele veio nesta terça-feira, com Branca. O que aqueles sonhadores precisavam, ouviram da atleta. Mesmo buscando carreiras distintas. Enquanto o trio só pensa em basquete, Thalessa quer brilhar no handebol.

Aos 16 anos, a filha de dona Patrícia e neta de dona Ana, suas incentivadores, vibrou como nunca ao acertar uma bola na cesta. Na segunda tentativa, outro acerto e saiu pulando pelo feito. "Nunca tinha conseguido acertar. A Branca me ajudou, me inspirou. Ele nos ensinou que, apesar dos obstáculos, qualquer um pode conseguir e eu consegui", festejou.

Nascia ali uma nova jogadora de basquete? "Olha, não sou muito boa no basquete e meu sonho é jogar handebol. Com esse incentivo, acho que vou conseguir." Todos estavam em êxtase com uma frase marcante de Branca. "Não podemos ter preguiça de viver. E o esporte é um estímulo. Com alto astral podemos enfrentar os desafios da vida." Era o que faltava para o trio do basquete.

Eles são apaixonados pela modalidade e formam um pequeno grupo que quer se tornar um gigante das cestas num futuro. "É o esporte que mais gosto e pratico. Sei das dificuldades, mas buscarei um treinamento específico", contou Paulo Fatel, de 14 anos.

Grandalhão em relação aos amigos de sala, o futuro pivô Leonardo, também de 14 anos, se inspira em nada menos que Michael Jordan para seguir carreira. Hoje ele apenas brinca na quadra do colégio, mas sua ambição é grande. "Vi o Jordan pela tevê na casa de um amigo, grande jogador. Quem sabe um dia não jogo como ele?", indaga. Lamenta, apenas, que poucos se interessem pelo jogo. "É tão legal, pena que a turma não gosta, eu adoro."

Andrey é quem mais abusa com a bola nas mãos. O mais baixinho dos três fala em ser um armador, "dando passes para os outros, mas fazendo meus pontos." A habilidade com a qual passa a bola por entre as pernas e dribla os amigos, mostrar que basta insistir para ter futuro.

"Eu fico olhando sempre na tevê. E gosto dos jogos das mulheres. Meu pai (Adilson) jogava basquete e quero ser como ele. Senão, invisto no handebol, que também gosto muito", fala. "A Branca falou bonito com a gente, da sua lição de vida. Me incentivou bastante."

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