Nilton Fukuda|Estadão
Branca participou de evento na zona leste de São Paulo Nilton Fukuda|Estadão

Esporte em ação visita extremo da zona leste para difundir basquete

Branca, medalhista olímpica na modalidade, esteve no Itaim Paulista

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

25 de abril de 2016 | 20h54

Nesta segunda-feira, o Projeto Esporte em Ação, que promove a interação de crianças e jovens com modalidades olímpicas no ano em que o Brasil recebe os Jogos, aportou na EMEF Dr. José Pedro Leite Cordeiro, que fica a mais de 30 quilômetros da Praça da Sé, o marco zero da capital paulista. Localizada na Cidade Kemel, no Itaim Paulista, perto dos limites de Ferraz de Vasconcelos, Poá e Itaquaquecetuba, a escola fica longe demais para atrair qualquer projeto socioesportivo ou cultural. Mas o Esporte em Ação não é um projeto qualquer.

O professor Eduardo Soares teve que se beliscar quando recebeu a confirmação de que Branca, vice-campeã olímpica no basquete nos Jogos de Atlanta-96, pisaria a quadra com pintura descascada, desníveis que convidam a tombos e tropeços e um aro torto.

"Acho que nunca um medalhista olímpico esteve nesta região. Sempre inscrevi nossa escola em projetos desse tipo, mas nunca fomos contemplados. Não acreditava que o projeto chegaria aqui, no final da zona leste", diz Soares.

As duas quadras nas quais Branca ministrou a atividade - palestra e ensino de técnica de arremesso - atraíram 270 crianças, todas presenteadas com uma pequena medalha. Numa outra mesa, figurava uma outra, um pouco maior, prateada, na qual se lia "XXVI Olympiad - Atlanta 1996". É a peça que a armadora da seleção brasileira recebeu por ter ajudado o Brasil a ficar em segundo lugar naquela competição. Branca era reserva de uma equipe fantástica, campeã mundial dois anos antes, na Austrália. Em Atlanta, o quinteto titular era formado por Paula, Hortência, Janeth, Marta e Alessandra.

Soares tem o cuidado de remover os aros assim que encerra cada aula que contenha prática de basquete. A quadra era invadida aos finais de semana por marmanjos que arrebentavam as grades para poder jogar futsal. Para evitar mais danos, a diretoria resolveu abrir os portões para que os moradores da região possam bater sua bola.

Branca, que hoje trabalha com formatação de projetos para captação de recursos da Lei de Incentivo ao Esporte, vibrou com a experiência. "Gosto de contar a história desta medalha, o que passei para conquistá-la", diz a ex-jogadora, já com 50 anos de idade. "Fico feliz também porque o projeto doou dez bolas para e escola. Tudo começa com a bola", acrescenta a ex-armadora, que deu seus primeiros arremessos, ao lado de Paula, no fundo do quintal de casa, em Osvaldo Cruz, numa tampa de privada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Educador batalha para manter vivo o interesse dos alunos pelo esporte

Professores elogiam programa Esportes em Ação na periferia

O Estado de S. Paulo

25 de abril de 2016 | 21h10

Não é fácil a vida dos educadores da EMEI Dr. José Pedro Leite Cordeiro. Os professores de educação física procuram estimular a prática esportiva num lugar extremamente carente de opções de lazer. O Parque das Águas, em tese, seria uma boa alternativa, mas é frequentado por usuários de drogas. "As crianças jogam bola na rua, andam de skate. Já não há campinhos de futebol, praticamente todos os terrenos foram ocupados por construções", diz o professor de Educação Física Eduardo Soares.

Outra batalha do educador é convencer as crianças de que vale a pena abrir mão do computador e do celular por algumas horas para particar um esporte. "Esta geração tem muitos estímulos eletrônicos. Temos que entender uma forma de atrair o interesse delas. Sempre procuro desenvolver atividades dinâmicas, desafios".

Um dos desafios de Soares é sua própria falta de tempo. Para complementar o orçamento, dá aulas numa escola estadual em Itaquaquecetuba. Por conta disso, o projeto de uma equipe de basquete feminino foi "descontinuado". "Ficamos em terceiro lugar numa disputa que reuniu três escolas aqui da região".

A visita de Branca, em seu entender, significa mais um avanço no sentido de atrair as crianças para a quadra. "Tenho certeza de que ela deixou aqui uma semente". A aluna Aparecida Kimberlly Almeida, chorou ao ver Branca na quadra onde faz educação física. "Até fiquei batendo bola na parede de casa para não fazer feio hoje", disse a estudante de 10 anos.

Tudo o que sabemos sobre:
Esportes em AçãoSoaresBranca

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Ex-armadora não bota fé na seleção de Barbosa

Branca, vice-campeã olímpica em Atlanta-96, não deposita grande esperança na seleção feminina nos Jogos do Rio

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

25 de abril de 2016 | 21h32

Branca, integrante da seleção brasileira de basquete que foi vice-campeã olímpica nos Jogos de Atlanta-96, não alimenta muita expectativa em torno da equipe comandada por Antônio Carlos Barbosa nos Jogos do Rio. "Estamos às vésperas do Pré-Olímpico Mundial (da França, em junho). Outras equipes já classificadas estão treinando. O que posso dizer de uma seleção que não está treinando, não está junta, não está jogando?", diz a ex-armadora, que foi uma ácida comentarista de basquete na década passada, trabalhando para a ESPN Brasil.

Aos 50 anos de idade, Maria Angélica Gonçalves da Silva teve sua carreira de treinadora abreviada por uma demissão. Ela atuou durante 11 meses em Americana em 2010. Nesse período, foi vice-campeã estadual e do Campeonato Nacional. "Eu desejo atuar novamente nessa função. Uma hora a porta se abre", afirma a ex-armadora, que hoje trabalha na formatação de projetos que buscam recursos oferecidos pela Lei de Incentivo ao Esporte.

Quanto a sua participação no Esporte em Ação, Branca diz que é voluntária sempre que a proposta for difundir o esporte. "Deveria haver outros projetos assim, levados a cabo pelo Governo Federal, secretaria estadual e municipal de esporte. Você vê como as crianças ficam entusiasmadas. Eu faço minha parte e estarei presente se for chamada, havendo ou não cachê".

Tudo o que sabemos sobre:
RIo 2016

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.