Marcelo Sayão|EFE
Marcelo Sayão|EFE

Esportistas brasileiros lamentam denúncias de corrupção na Rio-2016 e criticam Nuzman

Fernando Meligeni, Joanna Maranhão, Jadel Gregorio e outros mostram tristeza com revelações de pagamentos de propina na escolha do Rio como sede da última edição dos Jogos Olímpicos

O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2017 | 14h43

A denúncia de irregularidades na escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, feita por um ex-atleta brasileiro de bobsled, surpreendeu o mundo do esporte na manhã desta terça-feira. Esportistas em atividade e ex-atletas se pronunciaram nas redes sociais lamentando o ocorrido.

A descoberta foi lamentada por nomes como Fernando Meligeni, Joanna Maranhão e Gustavo Endres, atletas de histórico combativo contra irregularidades no esporte. O primeiro deles, inclusive, é desafeto declarado de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, que teria se beneficado do cargo para aumentar rendimentos do COB e seria um dos envolvidos no esquema.

"Levante a mão quem está perplexo com as notícias das Olimpíadas? Esse é o legado que deixaram? Essa é a maneira de cuidar do esporte do COB?", afirmou o ex-tenista, hoje comentarista de TV. "Vocês nunca me representaram. Você não me representa, COB. Vergonha do senhor Nuzman. Feliz de sempre ter sido contra. Eu não tenho que me explicar", bradou.

Meligeni recebeu a solidariedade de Joanna Maranhão, que lembrou dos problemas do ex-jogador de tênis com o dirigente do COB.

"Só lamento pelo Fininho que se lascou foi muito por ter enfrentado Nuzman enquanto atleta. Corajoso demais!", afirmou a nadadora. "Cada vez mais aliviada de nunca ter sido conivente com nada disso e nenhuma dessas pessoas. A gente entra na seleção enaltecendo essas pessoas, achando que fazem pelo esporte do Brasil. Só não ve a verdade depois quem não quer", encerrou.

"Corrupção no Brasil dá muito dinheiro. IMPRESSIONANTE! Que vergonha", afirmou Gustavo, ex-jogador da seleção brasileira de vôlei. Na mesma linha do ex-central foi Jadel Gregório, ex-atleta do salto triplo do Brasil.

"Quando eu disse que não iria a Copenhagem para a candidatura do Brasil para os Jogos do Rio eu tinha as minhas razões", afirmou. "Estou sendo sabotado desde 2004, vocês vão pagar pelo que fizeram comigo!".


 

A Atletas pelo Brasil, associação de personalidades do Esporte da qual participam nomes como Raí, Ana Moser, Lars Grael e Gustavo Borges, dentre outros, publicou comunicado lamentando as denúncias e expressando um posicionamento favorável às investigações.

"A Atletas pelo Brasil vem a público defender a ampla investigação dos fatos divulgados com transparência e profundidade, para que a população possa acompanhar o processo. A notícia é gravíssima e chega pouco mais de um ano depois dos Jogos Olímpicos, em meio a discussões sobre o insuficiente legado deixado pelo evento. Situações como essa prejudicam todo o setor esportivo, os atletas e a nação brasileira", afirmou a entidade.

ENTENDA O CASO

Eric Walther Maleson, que é ex-presidente e fundador da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG), relatou ao Ministério Público da França que Papa Diack, filho do ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo, Lamine Diack, teria recebido US$ 2 milhões (R$ 6,2 milhões na cotação atual) de propina para votar a favor da escolha do Rio como sede. O depósito foi feito pela conta de Arthur Cesar, conhecido como 'Rei Arthur', para repassar propina para Sergio Cabral, ex-governador do estado.

Em conjunto com a investigação francesa, o Ministério Público brasileiro viu indícios de que Papa Diack facilitou também a escolha de Tóquio como sede dos Jogos Olímpicos de 2020. Ele recebeu 1,7 milhões de euros (na cotação atual, R$ 6,3 milhões) em um esquema considerado 'menos organizado que o brasileiro', segundo Fabiana Schneider, do MP do Rio.

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