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Esquecido pela mãe e criado pelos avós, Thiago Braz foi apadrinhado pelo tio atleta

Com a ajuda de Fabiano Braz, Thiago começou cedo a se destacar no salto com vara

Rene Moreira, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2016 | 15h22

Criado pelos avós após ser abandonado pela mãe ainda criança em Marília (SP), Thiago Braz da Silva passou por momentos difíceis até chegar ao ouro olímpico e fazer história. Nascido na cidade paulista em 16 de dezembro de 1.993, começou no esporte ainda na adolescência e com todas as dificuldades da época, treinando com equipamentos improvisados.

Foi seu tio, o atleta Fabiano Braz, que o inspirou a praticar o esporte numa época difícil da vida após ser deixado pela mãe. "Estamos todos muito orgulhosos dele", conta agora o tio.

Thiago começou a treinar salto aos 14 anos, tendo tentado antes o basquete, para logo em seguida descobrir que tinha aptidão mesmo para o atletismo. Ele praticou o esporte por pouco tempo em Marília, pois logo se destacou e acabou se mudando para Bragança Paulista (SP).

Algum tempo depois foi para São Caetano do Sul, no Grande ABC, estando nos últimos dois anos na Itália onde teve como treinador Vitaly Petrov, ucraniano que já atuou ao lado de lendas do salto como Sergey Bubka e Yelena Isinbayeva. No entanto, muito antes de chegar à Europa, Thiago Braz já se destacava na modalidade. Entre outros, soma os títulos de medalha de prata nos Jogos Olímpicos da Juventude em Cingapura, em 2010, e de campeão mundial Sub-20 em Barcelona, no ano de 2012.

Para chegar a estas conquistas, no início de sua carreira, a partir de 2009, contou com o importante apoio do técnico Élson Miranda de Souza, marido e técnico da recordista do salto com vara, Fabiana Murer. Foi nesse ano que mudou-se para São Paulo, evoluiu bastante e foi convidado pelo COB para participar do Programa Vivência Olímpica, em Londres.

Desde novo, Thiago não escondia de ninguém que sonhava ser um atleta competitivo no salto com vara. Em 2009, foi medalha de bronze do Campeonato Sul-Americano Juvenil, ano em que também foi campeão brasileiro juvenil. Já em 2012, ainda no juvenil, era líder absoluto do Ranking Brasileiro e Sul-Americano, além de ocupar a quarta colocação na lista dos melhores do mundo.

"Tudo o que foi planejado deu certo, graças aos treinos, dedicação e apoio dos meus técnicos", falou no fim daquela temporada, já demonstrando planejamento para chegar ao topo do mundo.

O ano de 2013 foi o primeiro de Thiago na categoria adulta. Porém, esperto, antes mesmo ele já vinha se preparando ao enfrentar adversários mais velhos. "O trabalho está só começando e ele tem muito a evoluir", disse na época o técnico Elson Miranda.

Também naquele ano Vitaly Petrov, então consultor-técnico da Confederação Brasileiro de Atletismo, vislumbrou um futuro promissor para o jovem atleta do salto com vara. "Thiago tem potencial para superar os 6,00 m", afirmou na ocasião. Ele acabou acertando e hoje, três anos depois, o rapaz entra no ranking dos competidores que fizeram história na modalidade.

TRANQUILO

Thiago Braz é religioso e em 2014 casou-se com Ana Paula Oliveira, que também é atleta e pratica salto em altura. Ele tem como hobbie o aeromodelismo e a pescaria, que aprendeu com o avô que era pescador profissional.

O brasileiro é fã e amigo do mito do salto com vara Sergey Bubka, de quem ganhou um livro de presente como inspiração para disputar as Olimpíadas.

Na cidade paulista de Marília deixou parentes e fez muitas amizades, incluindo, com outro saltador com vara natural da cidade, o atleta Augusto Dutra. Ele também disputou as Olimpíadas, mas não obteve o mesmo sucesso do conterrâneo, terminando na 22ª posição nos Jogos do Rio.

ESTRELA

Com a conquista nas Olimpíadas, Thiago Braz passa a ser um dos quatro brasileiros que obtiveram ouro no atletismo, sendo os demais Adhemar Ferreira da Silva (duas vezes), Joaquim Cruz e Maurren Maggi.

Para vencer no Rio, no final da noite de segunda-feira, 15, o jovem de Marília deixou para trás o francês Renaud Lavillenie, favorito e vencedor das Olimpíadas de 2012. Thiago saltou 6,03 metros, dez centímetros a mais que sua melhor marca no ano, que até então era de 5,93 metros, obtida em fevereiro em Berlim, na Alemanha.

A conquista no Rio também coloca o brasileiro como um dos nove atletas no mundo que saltaram acima dos seis metros de altura. Thiago, que é militar e ocupa a graduação de terceiro sargento da Aeronáutica, atribui muito de seu sucesso aos avós, a quem carinhosamente chama de "pai" e mãe".

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