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'O bicampeonato olímpico me ensinou a lidar com a pressão'

Principal jogadora de vôlei do Brasil fala da expectativa para os Jogos Olímpicos e prevê muita dificuldade mesmo jogando em casa

Entrevista com

Sheilla

PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2015 | 17h02

Sheilla é considerada uma das melhores jogadoras de vôlei do mundo. Bicampeã olímpica em 2008 e 2012, ela terá a missão de comandar a seleção feminina nos Jogos de 2016, em casa, quando o time tentará o tricampeonato.

Ela sabe que a pressão será grande, mas acha que a equipe amadureceu bastante para lidar com isso. Nesta entrevista exclusiva, ela fala sobre o momento do esporte no País, sobre o que espera da competição no próximo ano e sobre sua vida na Turquia, onde veste a camisa do VakıfBank, de Istambul.

O vôlei é o esporte mais procurado para 2016 pelos torcedores brasileiros que querem ingressos. Como você vê esse prestígio da modalidade?

Minha família deve ter comprado um monte de ingressos (risos). O vôlei tem conquistado medalhas nas últimas Olimpíadas, então isso motiva as pessoas. Existe uma esperança muito grande de medalhas, tanto no feminino quanto no masculino, seja na quadra ou na praia. Nossa expectativa é grande e vamos buscar o tri olímpico, tentar uma medalha. Queremos chegar na melhor forma possível para conquistar o ouro.

Como você vê a chegada de novas jogadoras na seleção? Qual o potencial de crescimento da equipe?

Sempre tem um pouco de renovação, pois se mistura as jogadoras mais antigas e experientes com as outras. Essa troca é boa para os dois lados, a gente vê as meninas chegando super empolgadas, a gente ganha empolgação, elas pegam experiência, e isso é gostoso. Nosso time tem muito a crescer até a Olimpíada.

Quais são as principais adversárias do Brasil?

É difícil citar. Acho que hoje os Estados Unidos estão um passo à frente de todo mundo, sem dúvida, mas ainda há tempo de equilibrar. Tem ainda muito adversário bom, como a China, a Sérvia, é até difícil falar porque posso esquecer alguém. O Japão ficou na terceira posição na última Olimpíada, por exemplo, e é um adversário forte. A Itália pode surpreender, fizemos amistosos contra a Holanda e quase perdemos por 3 sets a 0, mas conseguimos reverter o placar. É um time novo, mas se garantir a classificação dará trabalho. A Olimpíada é onde todos os atletas querem estar, então todos os times são perigosos. Tanto que a gente perdeu para a Coreia do Sul em 2012.

Qual sua expectativa para a Olimpíada, quando você poderá ser tricampeã?

O foco esse ano nos treinamentos é só a Olimpíada. Estou ansiosa, não posso falar que não estou, pois conquistar o tri olímpico dentro de casa seria maravilhoso. A gente sabe das dificuldades, sabe que existem muitos times bons e fortes, por isso falo sempre que a gente pode tanto ganhar a medalha de ouro quanto ficar fora do pódio. É um detalhe que vai definir. Todo mundo quer muito buscar esse tricampeonato, vamos lutar de todas as formas possíveis, desde os treinamentos que já começaram, e estou empolgada e ansiosa.

O que o bicampeonato olímpico te ensinou que você carrega como lição para 2016?

Acho que quanto mais a gente ganha, mais pressão tem. E dentro de casa essa pressão será enorme, com certeza. A gente está acostumada, não tem muito o que falar. Essa pressão, que todo mundo coloca na gente, é porque conquistamos algo. O bi olímpico tem me ensinado a lidar com a pressão, estou acostumada, conseguimos reverter situações quase impossíveis, como foi nos Jogos de 2012, em Londres, para sermos campeãs, então sabemos que não podemos desistir nunca, pois sempre existe uma segunda chance.

Em 2008 existia muita desconfiança da equipe nos Jogos Olímpicos, mas vocês venceram. Quatro anos depois vocês chegaram em Londres um pouco irregulares, mas também venceram. Vocês aprenderam a lidar com o sofrimento e estão preparadas para todo tipo de situação?

A gente sempre esteve. Em 2007 ficamos em terceiro lugar no classificatório para a Olimpíada, no ano seguinte ganhamos Grand Prix e Olimpíada. Em 2012 a gente nem classificou para a Olimpíada e tivemos de conquistar a vaga no Campeonato Sul-Americano. Aí perdemos o Grand Prix, chegamos na Olimpíada, estávamos numa situação de quase eliminação, mas revertemos. Acho que o time está acostumado com essas situações. Claro que ninguém é máquina, pois não conseguimos estar 100% o tempo inteiro. O importante é chegarmos na melhor forma possível nos Jogos do Rio.

Como tem sido a sua vida na Turquia? A mudança de clube valeu a pena?

Sim. Eu estou jogando a Liga dos Campeões, que é um campeonato muito forte. Está sendo bom porque estou vendo as jogadoras de fora, pois a maioria das atletas da outras seleções está atuando em clubes na Europa, então enfrento todas elas e isso é super importante. Claro que é muito mais difícil que atuar no Brasil, pois aqui os times viram uma família e lá eu acabo ficando mais sozinha, pois ser estrangeira não é fácil, as pessoas não te acolhem tanto, e não é algo da Turquia, já joguei na Itália e lá é assim também. De qualquer forma, é uma experiência boa.

Você já está adaptada?

Estou, Istambul é uma cidade maravilhosa. É maior que São Paulo, o Zé (José Roberto Guimarães, técnico da seleção brasileira feminina de vôlei) até fala que para ele é uma das melhores cidades do mundo e eu concordo. É bonito, tem todo tipo de restaurante, é muito turística, mas o lado ruim é que fico lá no inverno. No verão europeu, que é agora, eu não estou, mas faz parte.

Dá tempo para passear?

Eu fui lá em maio do ano passado para assinar o contrato, conheci uns pontos turísticos, e sempre dá um tempinho. Às vezes tem um dia mais livre, que estou menos cansada, aí vou no Grande Bazar, vou conhecer as mesquitas. Acabou a temporada e eu fui para Capadócia, andei de balão, então tenho visitado alguns lugares.

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