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Estatísticas apontam que Brasil tem chance de ganhar 24 medalhas

Previsão considera possibilidades de o País ficar entre no top 10

Paulo Favero e Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2016 | 17h00

Se os Jogos Olímpicos do Rio começassem hoje, o Brasil conquistaria 24 medalhas (11 de ouro, sete de prata e seis de bronze) e terminaria na 10.ª colocação no quadro geral. Essa é a previsão da empresa holandesa de estatísticas Infostrada Sports. Os números coincidem com a última previsão feita pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil), que calcula que 23 ou 24 medalhas serão suficientes para o País alcançar a meta de ficar entre os dez primeiros colocados na Olimpíada.

Para chegar ao número de 24 pódios, a Infostrada Sports lançou uma plataforma de dados que identifica os países e atletas com mais probabilidade de serem bem-sucedidos no Rio. A partir dos últimos resultados de cada atleta, foi criada uma ferramenta chamada Quadro de Medalhas Virtual.

Os dados são atualizados sempre na primeira terça-feira de cada mês para aproximar os cálculos da realidade. No caso do Brasil, por exemplo, somente a partir do mês passado é que passou a ser contabilizada uma medalha de ouro nas duplas masculinas do tênis e outra de prata nas duplas mistas depois que Bruno Soares foi campeão das duas modalidades no Aberto da Austrália.

Soares ganhou em Melbourne entre os homens com Jamie Murray e nas duplas mistas com a russa Elena Vesnina. No Rio, ele vai formar dupla com Marcelo Melo, que ganhou seis títulos em 2015. Entre as duplas mistas, ainda não estão definidos quem serão os dois tenistas que representarão o Brasil.

A partir da performance em eventos esportivos mundiais, é feita uma previsão dos resultados para os Jogos Olímpicos no Rio. A pontuação ainda é transformada em um algoritmo antes da montagem do Quadro de Medalhas Virtual.

“Usamos todos os resultados desde a última Olimpíada e atribuímos pontos aos oito melhores colocados de cada evento. Se uma competição aconteceu na semana passada, os créditos dela são maiores do que uma prova realizada três anos atrás, por exemplo”, disse ao Estado o chefe de análises da Infostrada, Simon Gleave.

Antes dos Jogos de Londres, em 2012, a previsão da empresa era de que a Grã-Bretanha conquistasse 67 medalhas. Errou por apenas dois pódios. O dado mais curioso é que a Infostrada acertou que os britânicos conquistariam 16 medalhas de ouro logo no primeira semana dos Jogos e depois cairiam de rendimento.

O Quadro de Medalhas Virtual não é feito apenas a partir da frieza dos números. O lado emocional e a torcida também são levados em conta. Por isso, a quantidade de pódios previstos para o País nos Jogos do Rio foi inflada.

“Na contagem, já incluímos o fator casa a favor do Brasil e esperamos que o número de medalhas que projetamos fique bem perto daquilo que as autoridades esportivas do País esperam alcançar graças aos investimentos feitos para melhorar a colocação da delegação brasileira”, afirma Gleave.

Além de considerar o apoio dos torcedores brasileiros, a Infostrada ainda contabiliza uma medalha que dificilmente será conquistada pelo Brasil. A boxeadora Clélia Costa, aposta de ouro na categoria até 51kg (peso mosca), testou positivo em um exame antidoping no ano passado para a substância furosemida e está suspensa. Mesmo sem contabilizar esse ouro, o País se mantém no top 10 geral.

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‘Nosso trabalho está caminhando na direção certa’

Dirigente considera que os resultados demonstram que o País tem plenas condições de alcançar os objetivos traçados

Entrevista com

Marcus Vinicius Freire

Paulo Favero e Raphael Ramos, O Estado de S. Paulo

05 de março de 2016 | 17h00

Para o diretor executivo de esportes do COB (Comitê Olímpico do Brasil), Marcus Vinicius Freire, a campanha dos atletas nacionais neste ciclo olímpico está dentro da expectativa e o Time Brasil tem tudo para ficar entre os dez mais bem colocados no quadro de medalhas no Rio. Confira a entrevista exclusiva.

Qual a previsão de medalhas do COB para os Jogos do Rio?

A meta não determina um mínimo de medalhas e sim uma colocação no quadro geral: o top 10. A tendência dos últimos três anos é que essa classificação deva ser alcançada com algo abaixo de 27, 28 medalhas, que foi a referência de Londres-12 e Pequim-08. Existe uma tendência de maior distribuição de medalhas para os oito primeiros colocados, além de mais países subindo ao pódio, o que causa maior dispersão das medalhas. Então, pelos resultados internacionais dos últimos três anos, acreditamos que com 24 medalhas seja possível alcançar o top 10 nos Jogos do Rio.

Qual avaliação do desempenho do Time Brasil no ciclo olímpico?

Os resultados em mundiais estão dentro das expectativas do COB de alcançar a meta. Nos três primeiros anos do ciclo, o Brasil conquistou 67 medalhas em campeonatos mundiais ou equivalentes superando o mesmo período do ciclo anterior, quando teve 40 conquistas, considerando apenas as provas olímpicas. O final de 2015 foi mais promissor que o primeiro semestre do ano passado, que teve várias contusões em atletas de diversas modalidades. Recuperamos esses atletas, e o começo de 2016 está sendo positivo e dentro das nossas expectativas.

Os resultados mostram que os objetivos podem ser alcançados?

Os resultados dos últimos anos indicam que estamos alcançando um dos nossos principais objetivos para chegar ao top 10, que é o de aumentar o número de modalidades chegando ao pódio em Mundiais. Nos últimos três anos, o Brasil alcançou as primeiras colocações em 15 modalidades, o que vem ao encontro dos objetivos traçados no Planejamento Estratégico do COB, estabelecido em 2009.

Quais modalidades vêm se destacando?

Além das conquistas em modalidades em que o Brasil já conta com um histórico de bons resultados olímpicos, novos esportes chegaram ao pódio em campeonatos mundiais neste ciclo, como handebol, maratonas aquáticas, lutas e canoagem de velocidade. Além dessas, outras como o tiro com arco, polo aquático e tênis também alcançaram resultados expressivos em competições equivalentes aos mundiais. Também obtiveram resultados de destaque em competições internacionais, a canoagem slalom, o ciclismo, a esgrima, o levantamento de peso, o hipismo, o tênis de mesa e o tiro esportivo. Estamos com o alerta sempre ligado, acompanhando com atenção o desempenho de nossos principais atletas e equipes.

Como você avalia a previsão de medalhas da Infostrada?

Para o COB, o mais importante na avaliação desse tipo de estudo é perceber que modalidades nas quais o Brasil nunca foi ao pódio em Jogos Olímpicos começam a aparecer no radar dos sites especializados com possibilidades reais de medalhas. Isso prova que o nosso trabalho está caminhando na direção correta.

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