Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

'Estou satisfeito de ter realizado todos os sonhos'

Cavaleiro conta com a torcida para conquistar o ouro no Rio

Entrevista com

Rodrigo Pessoa

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2015 | 17h00

O cavaleiro Rodrigo Pessoa quer encerrar sua trajetória olímpica com duas medalhas no Rio. Ele já frisou que pode ser sua última participação nos Jogos e quer aumentar sua coleção de conquistas – já tem um ouro no individual e dois bronzes por equipes – em casa. Neste domingo, ele vai competir pela última vez no País antes da Olimpíada, no Concurso de Salto Internacional e Nacional Longines Indoor, na Hípica Paulista, e garante que a torcida pode fazer a diferença no Rio. Nesta entrevista exclusiva, ele fala sobre sua expectativa para o próximo ano e garante ter espaço para mais conquistas em sua galeria de troféus. "Cabem mais duas medalhas olímpicas", avisa.

Como você está vendo a possibilidade de competir no Brasil naquela que pode ser sua última participação olímpica?

Se minha carreira acabasse hoje, eu já seria um atleta realizado. Tive sorte de ter apoio de muita gente importante para mim durante todos esses anos, quando tive possibilidade de realizar todos meus sonhos, mas obviamente uma Olimpíada em casa é algo muito especial. É uma oportunidade única e esperamos ter um desempenho bom aqui.

Como é disputar a sétima Olimpíada, um recorde para o Brasil? Imaginava chegar tão longe?

Meu sonho era ter uma carreira longa e positiva, realmente tinha essa expectativa, mas não sabia onde iria chegar. Tive muita sorte de ter excelentes cavalos e excelentes equipes atrás de mim, e isso me ajudou a ter um bom desempenho. Estou satisfeito de ter realizado todos esses sonhos e agora falta só competir numa Olimpíada em casa.

Qual a importância do cavalo nos saltos do hipismo?

Nesses campeonatos importantes, como Mundial e Olimpíada, é 70% cavalo e 30% cavaleiro. Mas tem de fazer sua parte, não pode fazer 29%. Quanto mais o tempo vai passando, mais o conjunto vai se consolidando, e isso aumenta a chance de boa performance. A sorte conta um pouquinho, mas não pode contar com isso sempre.

Como está sua montaria para 2016?

Estou competindo com dois cavalos que são de alto nível, um que tenho faz dois anos (Status) e outro que adquiri em junho (Jordan). Ele ainda tem de melhorar na parte técnica, mas temos alguns meses para poder trabalhar bem e deixar ele em um ponto bom. É um cavalo que oferece muitas possibilidades, é potente, disciplinado, mas a adaptação demora um pouco. Estamos na fase de conhecimento, de testar coisas diferentes e utilizar as competições para chegar no ponto certo.

Como você vê os adversários?

Se for ver, são sempre os mesmos: Holanda, Alemanha, França, Estados Unidos, e depois é quem consegue lidar com a pressão da melhor forma e chegar com a melhor preparação. No dia da competição, é quem consegue responder melhor às perguntas do percurso.

Desta vez você será o anfitrião na Olimpíada. Os outros cavaleiros te perguntam sobre o Brasil e demonstram animação em vir?

Alguns já vieram e participaram do Athina Onassis aqui em São Paulo, outros foram ao Rio, então conhecem o País e sabem que nossa torcida é importante e animada. A gente espera que para essa Olimpíada a torcida seja grande, não só para apoiar a gente, mas também o esporte em geral.

A torcida ganha jogo no hipismo?

Ganha, porque ajuda a subir a adrenalina. É importante, mas pode ser positiva como negativa, por causa da pressão.

Você está preocupado com a demora na liberação dos protocolos sanitários para a vinda dos cavalos do exterior para o Brasil?

Sim, acho que os mais preocupados com isso somos nós, pois gostaríamos muito de participar de uma Olimpíada na nossa casa. Seria uma catástrofe a gente não conseguir os acordos necessários para poder ter o hipismo em nosso País. Nós seríamos os mais afetados se fosse em outro lugar. Mas a gente tem de ter fé que vão conseguir resolver esse problema.

Como você tem se preparado para os Jogos Olímpicos?

É preciso manter uma boa forma, ter uma vida regrada, pois é uma vida corrida, de alto estresse, como tudo que é feito em alto nível, seja esporte ou negócios. Tem de saber lidar com isso. Na hora de competir é preciso controlar o estresse.

Na última Olimpíada você foi o porta-bandeira do Brasil. Quem você indicaria para essa honraria em 2016?

Não seria justo me escolherem novamente. Acho que nós temos muitos atletas de grande importância, medalhistas olímpicos de ouro, que poderiam fazer isso. As meninas do vôlei, o Cesar Cielo, a gente tem um leque de atletas que estarão no pensamento de todo mundo para ser porta-bandeira.


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