Alexandre Castello Branco/ COB
Alexandre Castello Branco/ COB

Estreantes brasileiras em Jogos de Inverno contam como funciona a Vila Olímpica

Nicole Silveira, do skeleton, e Eduarda Ribera, do esqui cross-country, reportam sobre suas experiências na competição de Pequim, que chega ao fim neste domingo

Redação, Estadão Conteúdo

17 de fevereiro de 2022 | 12h00

A Vila Olímpica mexe com o imaginário de todos os atletas que almejam estar nos Jogos. Não foi diferente com as estreantes Nicole Silveira, que conseguiu o histórico Top 15 para o Brasil no skeleton, e Eduarda Ribera, de apenas 17 anos, que encerrou a participação nas competições em Pequim-2022 na quarta-feira. Elas ficaram em Vilas diferentes, já que os atuais Jogos Olímpicos de Inverno tiveram a peculiaridade de ter três zonas residenciais para os atletas: uma em Pequim, que não contou com brasileiros; outra em Yanqing, que recebeu os atletas do bobsled, esqui alpino e skeleton; e outra ainda em Zhangjiakou, que foi a casa dos brasileiros do esqui cross-country e do esqui estilo livre.

"O que mais me chamou atenção na Vila foi o fato de, mesmo em formato de bolha, poder caminhar, conversar com outras pessoas, andar entre os prédios, pela própria Vila mesmo, ir a outras venues. A arquitetura da Vila Olímpica também é muito legal, a vista é muito bonita e a pista bem ao lado. Realmente, é um lugar bonito", disse Nicole que, logo no primeiro dia circulando pelo local, foi ao cabeleireiro dar um "tapa no visual".

"Não imaginava que teria cabeleireiro na Vila. E também foi um risco entrar... Cheguei pedindo para cortar só um pouquinho e acabaram cortando demais! Mas estava precisando, então não reclamei muito", contou às gargalhadas.

As ofertas de serviços na Vila são muitos e vão desde os que não têm a ver diretamente com a competição, como cabeleireiro, lojas de alimentação dos patrocinadores do COI, até os essenciais como serviços médicos, dentista e fisioterapia. Há espaços dedicados a mostrar um pouco mais da milenar cultura chinesa, como a que conta a história e mostra os benefícios da medicina local, entre elas a acupuntura. Também existem lojinhas, como de serviço postal, e uma das mais frequentadas é a oficial dos Jogos. A mascote Bing Dwen Dwen foi um sucesso entre os participantes dos Jogos de Pequim. Apesar de tantas possibilidades, a rotina das duas começava sempre da mesma forma.

"Teste de covid-19, café da manhã, academia, almoço, treino de pista, fisio, jantar, analisar descidas, arrumar trenó, dormir. Entre essas coisas, também gostava de passar tempo no escritório para conversar com o pessoal, trocar pins com outros países, conversar com outros atletas, assistir outras competições e visitar as atrações da Vila", contou Nicole.

"Eu acordo, faço o teste de covid, tomo café, e vou direto pra pista e treino ou volto pro apartamento e descanso mais um pouco. Almoço e treino de tarde, volto do treino e vou direto pro banho porque aqui está fazendo um pouco mais de frio. Depois vou pro escritório bater papo com o pessoal do COB e vamos jantar. De vez em quando, trocar uns pins", disse Duda.

ALIMENTAÇÃO E BEM-ESTAR

No restaurante, a culinária chinesa, bem diferente dos padrões brasileiros, não foi problema, porque o cardápio internacional incluía alguns itens de dar arrepio nos nutricionistas como pizza e hambúrguer, mas também muitas opções mais saudáveis como vegetais, legumes e cereais. "Gostei bastante do restaurante onde a gente pode comer coisas diferentes e trocar pins. Gostei muito da acomodação e da Villa em si, tem lojinhas e coisas interessantes pra passear e fazer e descobrir mais sobre a cultura chinesa", revelou Duda.

O Time Brasil tem a sua base em cada uma das Vilas. No escritório, tem alguns jogos para ajudar na distração dos atletas quando não estão treinando nem competindo, TV para acompanhar as competições dos colegas de delegação ou outras disputas, além dos espaços para os serviços médico e de fisioterapia. Além disso, o COB ofereceu acompanhamento de serviços de Vila, esportivos e de comunicação. As duas estreantes fizeram questão de destacar a importância desse apoio dos colaboradores do Comitê Olímpico do Brasil.

"O Doutor Leonardo Hirao e o Ronaldo Aguiar são bem legais e me ajudaram muito quando eu estava tensionada e meia mal de dor cabeça. E a Gabi (Gabriela Soares, de Operações e Logística) também me ajuda muito no dia-a-dia conversando comigo", contou a jovem de 17 anos.

"Fiquei muito feliz com o suporte que tive. Até meu treinador que já tinha ido pra outros Jogos com outro país disse que o Brasil estava nota 10. Chegando na Vila, os quartos estavam bem arrumados, os profissionais sempre dispostos a encontrar o que era necessário, pessoas muito simpáticas, médico e fisioterapeuta top de linha e acesso a eles a qualquer hora", relatou Nicole.

"O Time Brasil foi ótimo em providenciar oportunidades de mídia e divulgação das modalidades que são muito importantes para o crescimento dos esportes no Brasil, principalmente os de inverno. Não só trabalham duro pra que tudo esteja certo, mas também são grandes pessoas, sempre na torcida e felizes por fazerem o que tem que fazer. Não dá pra escolher somente uma coisa que gostei. Tudo que ofereceram realmente foi espetacular", completou.

Antes de deixar Zhangjiakou para voltar ao Brasil, Duda deixou um recado para o seu irmão, Christian Ribera, que vai disputar os Jogos Paralímpicos de Inverno e habitará a mesma Vila que ela. "É pra ele ver e ficar feliz e saber de toda a torcida e apoio que ele tem!"

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