'Eu não cantei vitória antes', afirma Diego Hypólito

Ginasta não esquece a decepção com a falha na final do solo no último domingo e se defende de críticas

MARCELO TEIXEIRA, REUTERS

19 de agosto de 2008 | 06h52

Diego Hypólito descartou a possibilidade de que se desconcentrou na parte final do exercício do solo devido à sensação da vitória após uma série quase perfeita e afirmou que se tivesse concluído o exercício com perfeição, teria levado o ouro. Veja também: A campanha brasileira na Olimpíada de PequimO ginasta, que conversou com jornalistas na área internacional da Vila Olímpica nesta terça-feira, afirmou que a ginástica não permite a desconcentração e que o sorriso que deu no meio da série era porque estava feliz com o andamento da apresentação, e não porque já se imaginava no pódio. "Eu não cantei vitória antes, isso não existe. Não tem como desconcentrar no meio da série. Naquele momento você não pensa em mais nada", afirmou. "Na ginástica, a concentração tem que ser máxima o tempo todo, porque são acrobacias nas quais você pode se machucar seriamente." Ao lado de seu técnico, Renato Araújo, e da chefe da equipe de ginástica, Eliane Martins, o bicampeão mundial do solo afirmou que ainda não tem explicação para o que aconteceu e que mal tem conseguido dormir desde domingo, quando caiu na conclusão da série do solo e perdeu a chance de medalha. "A imagem da queda não sai da minha cabeça. Às vezes acordo no meio da noite e digo: 'não acredito"'. Diego pensa que se tivesse concluído com perfeição a acrobacia derradeira de sua série, teria nota entre 16.200 e 16.300, o que seria suficiente para o primeiro lugar. O chinês Kai Zou levou o ouro na competição, ao marcar 16.050. O brasileiro terminou com nota de 15.200, em sexto lugar. Além de Diego, outro favorito ao título, o romeno Marian Dragulescu, campeão mundial em 2006, sofreu queda na sua série e terminou fora do pódio. O ginasta não sabe o que deu errado. "Não adianta as pessoas quererem achar um motivo para o que aconteceu. Isso acontece com qualquer ser humano, eu errei. Você vê a chinesa Fei Cheng, que era favorita em dois aparelhos e ficou só com um bronze", afirmou. "Achei que ia cravar e quando vi estava no chão". "A tristeza é maior porque Olimpíada é só de quatro em quatro anos, Mundial tem todo ano. É um minuto que decide 8, 10 anos de treinos. Veja o caso da Fabiana (Murer, do salto com vara) por exemplo, um absurdo, são anos de treinamento que se perde". O ginasta, apesar da grande decepção por não sair de Pequim com uma medalha olímpica, argumentou que o que ele realizou nos Jogos não deve ser apagado. "Eu sei que eu fiz história. Fiz a melhor nota na etapa de classificação. E um sexto lugar em uma Olimpíada não é ruim, mas infelizmente eu sei que isso não tem reconhecimento", afirmou. O atleta afirmou que após uma pausa para descanso vai retomar sua rotina normal de treinos e espera se classificar e chegar nas próximas Olimpíadas em uma forma tão boa ou melhor que na atual. (Edição de Tatiana Ramil)

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