Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Evento-teste de vela começa na Baía de Guanabara

Organizadores tentam garantir que poluição não prejudicará atletas

Ronald Lincoln Jr. , O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2015 | 07h00

A Baía de Guanabara vai receber nesta sábado o primeiro dia de eventos-teste de vela, visando à preparação para a Olimpíada do ano que vem. Em consequência da poluição das águas, o local se tornou o "calcanhar de Aquiles" dos Jogos do Rio, ainda mais depois que o governo estadual descartou alcançar até 2016 a meta de tratar 80% do esgoto despejado ali. 

Para tentar evitar que o lixo flutuante atrapalhe os atletas, os organizadores vão estrear cinco novas ecobarreiras, outras 11 já estavam instaladas nos arredores da Baía. O equipamento funciona impedindo a passagem do lixo sólido, que é recolhido mecanicamente para uma unidade de tratamento.

"É uma inovação para esse evento-teste, que já contribui de forma significativa para a melhoria das condições", informou o secretário de estado da Casa Civil, Leonardo Espíndola. “Evitando que, com uma eventual chuva, extravase lixo para a Baía.” Espíndola explicou ainda que serão utilizados 20 ecobarcos que também vão recolher o lixo sólido. Dez deles são de entes governamentais e o restante foi obtido em parceria com empresas privadas. 

Resta a preocupação com a qualidade da água, que sofre constante despejo de esgoto sem tratamento na Marina da Glória - local de onde saem as embarcações para a disputa. Para evitar risco aos atletas, será aplicada a biorremediação, processo que usa organismos vivos para dissolver a concentração de poluentes.

Bronze no Pan de Toronto e experiente nas águas da Guanabara, a brasileira Fernanda Decnop vai participar da competição, e minimizou o risco. "Tenho visto grandes melhoras. Acho que todos os atletas vão dizer o mesmo. Recentemente, temos visto até golfinhos nadando (na Baía)", considerou.

REGATA

Este será o segundo evento-teste da vela - o primeiro ocorreu no ano passado -, e termina no dia 22 deste mês. Agora, serão 344 atletas, de 55 países, divididos em dez classes, nas modalidades masculina e feminina. Boa parte das equipes já estava no Rio se preparando há mais de dez dias, em razão da disputa da Semana Internacional de Vela, realizada também na Baía.

Durante a semana, a Federação Internacional de Vela (ISAF, na sigla em inglês) pediu a inclusão de uma raia a mais na disputa. Ao todo, serão seis raias - três no interior da Baía, e três em mar aberto. O evento será aberto ao público, que poderá acompanhar algumas das regatas do Aterro do Flamengo.


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