Wilton Junior|Estadão
Wilton Junior|Estadão

Ex-piloto da Fórmula Indy, Alessandro Zanardi fatura ouro no ciclismo de estrada

Paraciclista venceu a prova contrarrelógio H5 masculino

Marcio Dolzan, Rio, O Estado de S. Paulo

14 de setembro de 2016 | 11h15

Confirmando todas as expectativas, o italiano Alessandro Zanardi conquistou a medalha de ouro na prova de ciclismo de estrada contrarrelógio H5 dos Jogos do Rio-2016. O ex-piloto de Fórmula 1 e da Indy concluiu a prova na manhã quente do Rio de Janeiro com o tempo de 28min36s81. Ao final da disputa, Zanardi, que chegou a sua quarta medalha paralímpica, sendo a terceira de ouro, afirmou que vencer no Rio era especial. “Foi aqui que conquistei minha primeira pole na Indy”, lembrou.

Zanardi fechou a primeira das duas voltas no circuito do Pontal em terceiro lugar, mais de 18 segundos atrás do australiano Stuart Tripp, mas conseguiu fazer os últimos cinco quilômetros em ritmo ainda mais intenso e recuperou a diferença. Tripp ficou com a prata (28min39s55), e o americano Oscar Sanchez (28min51s73) com o bronze.

Ao final da disputa, Alessandro Zanardi dedicou a vitória à família. “É simplesmente fantástico. Eu só tenho que agradecer. Eu sinto que sou um cara de muita sorte”, disse o ex-piloto, que teve as duas pernas amputadas em 2001, quando sofreu um grave acidente pela Indy.

O paraciclista afirmou que a vitória no Rio teve um gosto especial. "É uma coisa mágica vencer no Rio. Eu amo muito o Brasil, tenho muitos amigos brasileiros, como o Tony Kanaan. Te saúdo, Tony, te quero bem! Meu ídolo é Ayrton Senna", disse.

"Pra mim o Rio é especial. Em 1996 vim ao Rio de Janeiro com a Indy Car e conquistei minha primeira pole. Foi num circuito belíssimo, e sempre andei muito rápido naquela pista. Cheguei em segundo, mas foi porque sempre é preciso um pouco de sorte", lembrou, referindo-se ao Autódromo de Jacarepaguá. A pista foi demolida para a construção do Parque Olímpico da Barra.

"Quando me disseram que o estádio (Parque Olímpico) foi construído em cima daquela pista, do circuito da Indy Car, finalmente eu tive a chance de vencer uma competição no Rio”, comentou, dizendo ainda que isso era importante para ele por se considerar “um tipo romântico".

Sobre a escolha pelo paraciclismo, Zanardi declarou que a questão da velocidade fica em segundo plano. “Não é pela velocidade. Eu queria andar de bicicleta, mas para vencer a prova eu preciso ser veloz, como com o carro”, comparou.

Ele também destacou a importância dos Jogos Paralímpicos na conscientização das pessoas. “O esporte paralímpico é num nível altíssimo. Hoje fiz 43km/h, 44km/h de velocidade média. Eu podia andar um pouco mais veloz, mas é difícil. Precisa muita força nos braços. O esporte está num nível muito alto. Tem que trabalhar muito. Se outro deficiente vê os ídolos no esporte paralímpico, isso os incentiva", afirmou. Depois, o italiano fez pose com os braços e brincou. "Ele vê 'olha como está bem o Zanardi, com quase 50 anos! Braço de Ferro!'"

Nesta quinta, Zanardi busca o bi paralímpico na corrida de estrada, e na sexta compete no revezamento, na qual levou a prata em Londres-2012.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.