Divulgação/COB
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Ex-técnico do Brasil no hipismo, George Morris é banido do esporte por abuso sexual

Lendário treinador é punido após investigação envolvendo menores de idade

Sarah Maslin Nir/The New York Times, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2019 | 10h40

George H. Morris, ex-treinador da seleção brasileira e dos Estados Unidos no hipismo, considerado o pai do esporte equestre, foi banido para o resto da vida do esporte depois de uma investigação sobre abuso sexual envolvendo menores. A decisão foi divulgada na terça-feira. A Equestrian Federation afastou Morris em agosto. E o U.S. Center for SafeSport, organização encarregada de investigar casos de má conduta no campo dos esportes olímpicos, tornou sua expulsão permanente, depois de julgado recurso apresentado por ele.

"Não importa o quão importante é a pessoa no campo esportivo, ou o fato de as acusações serem antigas, ninguém está livre de prestar contas", afirmou Ju'Riese Colón, diretora executiva do SafeSport em comunicado. A expulsão permanente do treinador foi decidida depois que pelo menos duas pessoas se apresentaram declarando ter sido vítimas de Morris, quando ainda eram menores de idade. As acusações, envolvendo má conduto do técnico nos anos 1960 e 1970, resultaram numa investigação que durou meses pelo Center for SafeSport.

As conclusões dessa investigação, cujos detalhes o centro guarda sigilo para proteger as vítimas, justificaram a sua expulsão, proibindo-o perenemente de atuar como treinador, disse Colón. É a penalidade mais dura já estabelecida pelo centro e uma medida que "não foi adotada levianamente", ela afirmou.

A decisão foi tomada depois de dias de um processo acalorado em que Morris, as pessoas que o acusaram e apoiadores dele prestaram depoimentos junto a uma comissão de arbitragem independente em Nova York. A decisão agora é vinculante e dela não cabe mais recurso. A proibição provisória inicial já havia provocado um frenesi no mundo do hipismo, onde bonecos representando Morris são artigos de colecionadores e seus livros sobre equitação são considerados evangelhos do esporte. Muitos cavaleiros, entre eles estrelas do esporte hípico, correram em sua defesa, denegrindo acusadores anônimos online ou descrevendo as experiências positivas com Morris em fóruns online. Ele recorreu da decisão inicial do SafeSport. Mas não respondeu a um pedido para comentar a condenação. 

Morris, de 81 anos, conquistou uma medalha de ouro de salto na Olimpíada de 1960, em Roma, antes de se tornar treinador das equipes de hipismo olímpicas do Brasil e dos Estados Unidos. Ele comandou a equipe de salto brasileira na Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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