Márcio Dolzan/Estadão
Márcio Dolzan/Estadão

Fabíola concilia rotina de atleta e mãe pela Olimpíada

Levantadora da seleção de vôlei enfrenta difícil rotina após nascimento de Annah Vitória para se garantir nos Jogos

MARCIO DOLZAN / RIO DE JANEIRO, O ESTADO DE S.PAULO

09 de julho de 2016 | 01h31

Há três semanas, a rotina da levantadora Fabíola, da seleção brasileira de vôlei, reúne treinos intensos em dois turnos e cuidados – não menos intensos – com a pequena Annah Vitória, que completará dois meses de vida no próximo dia 19. A vontade de estar nos Jogos Olímpicos Rio-2016 é tanta que a jogadora levou parte da família para dentro do Centro de Desenvolvimento de Vôlei, em Saquarema, na Região dos Lagos. Assim, enquanto ela trabalha duro para retomar a melhor forma física, a filha mais nova fica aos cuidados de seus familiares.

Nesta sexta-feira, pela manhã, enquanto Fabíola treinava com o auxílio de três preparadores, Annah Vitória aguardava à beira da quadra se revezando no colo da irmã Andressa, de 10 anos, do avô Edízio, pai da levantadora, e da enfermeira Eliane. Depois, antes de conversar com o Estado, a jogadora pediu uma pausa para amamentar a filha.

A rotina é cansativa, mas Fabíola não se incomoda. Ao contrário, ela demonstra gratidão pela confiança depositada pelo técnico José Roberto Guimarães, que a incluiu na pré-lista de convocadas para a Olimpíada em abril, quando a jogadora ainda estava chegando aos nove meses de gravidez.

“Eu fico feliz. É um incentivo a mais para mim. É minha chance, e eu estou tentando a cada dia retribuir essa oportunidade que ele está me dando”, afirmou a levantadora, que voltou aos treinamentos há menos de três semanas, em 21 de junho.

Ela diz que o recomeço foi difícil, mas vibra com a rápida evolução. “Fiquei bastante tempo parada. Nas duas primeiras semanas, foi difícil de adaptar o corpo. Foi muito dolorido. Esta semana consegui ganhar massa muscular, um ganho bom na academia”, explica.

“Já estou conseguindo ter um pouco mais de agilidade na quadra. A cada semana a gente está evoluindo”, completou.

A programação de treinos inclui cerca de duas horas de exercícios na academia e uma hora de treino com bola na parte da manhã. À tarde, ela se prepara junto com a seleção feminina Sub-23. Pelo menos nove pessoas auxiliam nos treinamentos. As folgas são mínimas – nesta sexta-feira, Fabíola treinou das 7h às 9h da manhã, mas depois teria o dia livre para passar um pouco de tempo com a família.

DIFÍCIL DORMIR

Além dos dias com atividade intensa, a levantadora às vezes também precisa lidar com noites mal dormidas. “Com recém-nascido é assim mesmo. Acho que depois dos três meses vai dar uma melhorada, mas ela (Annah Vitória) é muito boazinha. Tem dias que ela tem um pouco mais de cólica e eu durmo um pouco menos, mas tudo vale. O sacrifício vale.”

O sacrifício citado por ela é uma tentativa de não reviver o que aconteceu há quatro anos, quando a jogadora foi cortada da seleção que iria aos Jogos Olímpicos de Londres às vésperas da competição. Na ocasião, a decisão do técnico Zé Roberto fora técnica.

PREPARADA

Apesar disso, Fabíola reconhece que pode ficar fora novamente. “Eu estou em outro ritmo. Elas (o restante do elenco) começaram a temporada bem antes, já estão nas finais do Grand Prix. Eu quero estar junto, ajudando, mas eu tenho de correr atrás.”

Mesmo assim, a levantadora se diz preparada. “Estou aqui para enfrentar qualquer situação que venha a acontecer. Eu sei que eu tenho a possibilidade de ir como tenho a possibilidade de não ir. Se eu for, ótimo, graças a Deus, fico muito feliz. Se eu não for, minha vida vai continuar, como continuou em 2012. Eu consegui superar e agora não será diferente. Eu quero lutar até o fim pela oportunidade que eles têm me dado.”

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