Nilton Fukuda/Estadão
Daniel Campos está vendendo seus ingressos do vôlei de praia Nilton Fukuda/Estadão

Facebook vira balcão de vendas de ingressos dos Jogos do Rio

Às vésperas dos Jogos, torcedores recorrem à rede social para comercializar bilhetes

Vítor Marques, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2016 | 05h00

"Vendo ingresso salto ornamental. Interessados, mensagem inbox.”

“Compro final do tênis.”

O Facebook se transformou em uma plataforma alternativa de compra e venda de ingressos para os Jogos do Rio. Anúncios como esses estão espalhados em grupos específicos ou em perfis pessoais.

Um grupo público, chamado Ingressos Olimpíadas 2016, tem mais de 9 mil inscritos. Há quem cobre preço de face e há também aqueles que remetam à venda para outros sites. Boa parte dos integrantes promete vender pelo valor original. Para o Comitê Organizador, que tem um portal de revenda oficial e orienta que o torcedor use esse canal, é crime quando se configura a prática de cambismo (leia mais abaixo).

Em geral, a compra de ingressos é feita com antecedência e por sorteio. E muitas pessoas mudam de planos ou não podem, por exemplo, se deslocar ao Rio por dois finais de semanas consecutivos.

A professora estadual Paula Oliveira comprou ingressos para ela e seus pais há um ano. Gastou entre R$ 2.500 e R$ 3.000 para assistir a uma série de modalidades, entre elas a final do futebol masculino e a final do vôlei masculino.

Porém, houve alteração de planos. Seus pais, por motivos de agenda, não podem mais ir ao Rio no último fim de semana dos Jogos. “Preciso vender para não ‘morrer’ com os ingressos na mão. E acho que o Facebook é a ferramenta mais acessível.” Ela vai vender as entradas que sobraram pelo preço original.

Paula usou sua própria timeline porque tem preferência para vender os ingressos a amigos ou conhecidos. “É melhor porque assim teria companhia. Afinal, quem comprar meus ingressos terá de sentar ao meu lado, porque são numerados”, conta. Boa parte dos seus ingressos já foi vendida, mas ela ainda tem bilhetes de vôlei e handebol.

Já o administrador Daniel Machado Campos havia pedido ingressos para vários esportes. O sorteio, no entanto, lhe garantiu entradas para algumas modalidades no último fim de semana dos Jogos, além de um jogo de vôlei de praia masculino no dia 14 agosto.

“O vôlei de praia ficou perdido dentro da minha programação”, afirma Campos, que vai à Olimpíada do Rio com a mulher. “Sou contra o cambismo e não quero ganhar um centavo em cima disso. Minha preferência é vender os meus ingressos para amigos, por causa da confiança no pagamento. Não quero correr riscos.”

Segundo ele, que anunciou seus ingressos no seu perfil pessoal, os grupos criados no Facebook não têm controle sobre transações e reúnem pessoas do Brasil inteiro, o que dificulta a compra e venda de ingressos. Só esta semana ele soube que existia uma plataforma oficial para revenda de bilhetes.

 assistente administrativa Barbara Sengia iria ao Rio com sua amiga Beatriz. Elas haviam comprado ingressos para disputa de terceiro lugar de basquete masculino, mas depois desistiram de assistir a competição ao vivo. “A mãe da minha amiga a proibiu de ir aos Jogos (por ser perigoso)”, afirmou.

Barbara, que já encontrou comprador, havia adquirido seu ingresso de um amigo, mas acabou desistindo porque não queria ir sozinha e também porque sua mãe estava receosa com a segurança durante os Jogos. “Acho que tudo pesou um pouco, além do preço da hospedagem. Cheguei a ver quarto por R$ 2 mil a diária”.

RECOMENDAÇÃO 

O Comitê dos Jogos reforça que, caso alguém não queira mais seu ingresso para a Olimpíada, deve colocá-lo para revenda no site oficial: (rio2016.com/ingressos). É por esse motivo, aliás, que o comitê orienta aos torcedores que não publiquem fotos das entradas nas redes sociais.

“Alguém especializado em falsificar ingressos terá um código de barras original que vai estar válido no dia”, explica o diretor de Ingressos do Comitê Donovan Ferreti.

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Comitê cancela 2.500 bilhetes por prática de cambismo

Rio-2016 tenta coibir venda ilegal de ingressos

Marcio Dolzan, Rio de Janeiro, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2016 | 05h00

 Revender ingressos pelas redes sociais sem cobrança de ágio não chega a ser uma prática ilegal, mas pode trazer dissabores para quem for comprar. O Comitê Rio-2016 alerta que mais de 2.500 bilhetes já foram cancelados devido à prática de cambismo. O problema é que o comprador corre o risco de só descobrir isso quando chegar à arena olímpica e for barrado no controle de acesso.

O Rio-2016 esclarece que a revenda de ingressos fora do portal oficial da Olimpíada configura quebra de acordo. “Se ele estiver vendendo no valor de face, seria uma prática legal, porque ele não está cometendo o crime de cambismo. Porém, ele está quebrando as regras dos termos e condições de compra de ingresso. Ele não pode fazer esse tipo de anúncio”, explicou Donovan Ferreti, diretor de Ingressos do comitê.

O maior problema, contudo, é outro. “Há anúncios não só em Facebook, mas em sites como o Viagogo e Ticketbis (especializados em revenda de entradas), em que o ingresso já está cancelado”, comentou Ferreti. 

Isso acontece porque, sempre que o Rio-2016 identifica alguma irregularidade no uso dos ingressos, ele consegue cancelá-lo. Para isso, basta anular o código de barras do bilhete – cada um deles tem uma numeração única e permite um único acesso.

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