Jean Christophe Bott/EFE
Jean Christophe Bott/EFE

Faltam 14 meses para a Olimpíada de Tóquio e tudo ainda está indefinido

Evento deve acontecer em julho e agosto de 2021 ou não será realizado

Matthew Futterman e Motoko Rich, The New York Times

23 de maio de 2020 | 10h00

Há dois meses o Comitê Olímpico Internacional (COI) e autoridades japonesas concordaram em adiar por um ano os Jogos Olímpicos de 2020. Na ocasião, uma coisa ficou clara: o evento ocorreria em julho e agosto de 2021 ou não se realizaria. Um porta-voz dos Jogos disse em abril que não havia nenhum plano B e Thomas Bach, presidente do COI, reiterou essa afirmação esta semana: ou as Olimpíadas começarão em 23 de julho, com as Paraolimpíadas em seguida, em 24 de agosto, ou serão canceladas.

Mas praticamente todo o resto ainda está indefinido. Com público ou sem público? Quando e como os atletas continuarão o processo de qualificação para os jogos? Conseguirão estar em boas condições físicas quando chegarem a Tóquio?  Como será a Olimpíada, uma vez que o atraso está custando bilhões de dólares para os organizadores?

“Esta situação exige compromissos e sacrifícios de todos”, disse Bach em uma videoconferência na semana passada. “Estamos fazendo o máximo possível para reduzir os custos e ao mesmo tempo manter o espírito dos jogos e a qualidade da competição”.

Embora 14 meses pareçam um longo tempo, esse prazo não significa tranquilidade no Japão, onde o coronavírus continua a subverter a vida cotidiana, ou para os organizadores dos Jogos responsáveis pelo adiamento das competições, milhares de reservas de hotéis e pelos toques finais na construção de estádios durante uma pandemia imprevisível.

“Os esforços são monumentais”, declarou Christophe Duvi, diretor esportivo do COI.

Toshiro Muto, diretor do comitê organizador local dos Jogos de Tóquio, disse no início do mês que “estamos todos comprometidos com a realização dos jogos em julho próximo. Tudo o que estamos fazendo é nos preparar o melhor possível para a realização do evento”.

O fator imprevisível naturalmente é a covid-19. Atividades esportivas foram retomadas em vários países e os atletas já começam a treinar a sério novamente. Mas muitas fronteiras continuam fechadas e o calendário de atletismo internacional ainda é uma interrogação, mesmo que campeonatos de golfe, tênis e outros tenham sido remarcados para o final do verão e começo de outono.

Há algum otimismo à medida que pesquisadores chegam mais perto de uma vacina, mas ela estará disponível só no próximo ano no melhor dos casos e ninguém pode assegurar que um evento tão grande e difícil de organizar como os Jogos Olímpicos se realizará.

No momento não há nenhum prazo exato para decidir com firmeza se os jogos ocorrerão ou serão anulados.

Indagado recentemente a respeito, o Dr. Jonathan Finnof, diretor médico do Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos, disse que: “estamos avançando rapidamente com os planos para os Jogos em 2021 e estou muito esperançoso e otimista de que teremos um processo de abrandamento da infecção apropriado, seja o caso de uma vacina ou um tratamento, ou mesmo uma transmissão comunitária baixa, como também a capacidade de prevenir ou detectar a transmissão”.

Mas Finnoff, que não é especialista em doenças infecciosas, também se mostrou muito otimista em março, algumas semanas antes de as Olimpíadas serem adiadas.  

Michael Lynch, ex-diretor de marketing de patrocínio global da Visa, que agora é consultor, disse que o COI e organizadores dos Jogos em Tóquio têm a vantagem agora de observar durante os próximos meses como serão outras tentativas de abertura de eventos esportivos em meio à preocupação com o coronavírus.

“Vamos aprender muito mais como esses eventos que vão ocorrer”, disse ele.

Se os Jogos de Tóquio se realizarem, serão ainda mais caros. As estimativas do custo do atraso estavam entre US$ 2 bilhões e US$ 60 bilhões. Na semana passada o COI prometeu US$ 650 milhões de ajuda depois de uma disputa financeira em abril entre a organização e parceiros no Japão.

Após o anúncio da ajuda prometida, Muto não disse se os US$ 650 milhões serão suficientes. “A discussão e o debate continuarão e o lado do Japão fará tudo para que suas vozes sejam ouvidas”, disse ele.

Muto afirmou que o comitê organizador não está pensando em cancelar os jogos caso a pandemia continue perturbando as viagens internacionais ou os treinos dos atletas, mas que eles serão mais parecidos com uma Olimpíada tradicional.

“Está na hora de revermos quais são as coisas essenciais no caso desses jogos e quais são os itens imprescindíveis. Podemos realizar uma nova Olimpíada e Paraolimpíada excepcionais no Japão, mas exatamente como serão não posso dar detalhes”, disse Muto. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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