Mark Schiefelbein/AP Photo
Mark Schiefelbein/AP Photo

Fina adverte nadadores após provocações no pódio do Mundial

Duncan Scott se recusou a cumprimentar Sun Yang, que respondeu com provocações no pódio

Redação, Estadão Conteúdo

23 de julho de 2019 | 16h36

A Federação Internacional de Natação (Fina) anunciou nesta terça-feira advertências aos nadadores Sun Yang e Duncan Scott por conta das provocações ocorridas no pódio antes e após a cerimônia de premiação da prova dos 200 metros livre, no Mundial de Esportes Aquáticos, em Gwangju, na Coreia do Sul.

"Ambos os competidores tiveram um comportamento inadequado nesta ocasião, o que não é aceitável de acordo com a Regra C 12.1.3. da Constituição da Fina", anunciou a entidade, horas depois da polêmica no pódio.

A polêmica teve início quando os três medalhistas da prova subiram ao pódio. O chinês Sun Yang faturou a medalha de ouro - depois que o lituano Danas Rapsys perdeu a vitória ao ser desclassificado -, o japonês Katsuhiro Matsumoto levou a prata e o britânico Duncan Scott dividiu o bronze com o russo Martin Malyutin.

Scott se recusou a cumprimentar Yang e a sair na foto tradicional com os demais medalhistas no lugar mais alto do pódio. O chinês respondeu com gestos e provocações. Na saída da cerimônia, ele chegou a proferir palavras diante do rosto do adversário, que não reagiu. De acordo com a agência The Associated Press, Sun teria dito "você é um perdedor" e "eu sou o vencedor".

Ao fim da cerimônia, somente Scott se manifestou sobre o episódio, que gerou vaias nas arquibancadas e gritos, principalmente por parte da torcida chinesa, no Nambu University Municipal Aquatics Center. "Ele faz um grande trabalho ao garantir que todos continuem a falar sobre o assunto. Então acho que isso é tudo que tenho para falar sobre isso", disse o britânico.

Scott se refere ao polêmico episódio em que Sun Yang destruiu amostras suas de sangue com um martelo durante uma visita de fiscais antidoping, no ano passado. Na ocasião, alegou que um dos fiscais não apresentou as devidas credenciais, resposta que foi aceita pela Fina. O chinês já foi flagrado em doping em 2014, quando cumpriu suspensão de três meses.

Ele, contudo, ainda está em investigação por conta do caso das amostras destruídas. E só está competindo em Gwangju por conta de permissão da Fina. Se vier a ser punido, poderá até ser banido do esporte de forma definitiva.

A presença do chinês no Mundial por si só já gerou polêmica entre os nadadores. Alguns, como o britânico Adam Peaty, que já bateu o recorde mundial dos 100 metros peito na Coreia do Sul, criticaram Yang publicamente. "Há uma razão para as pessoas estarem vaiando ele. Ele deveria estar se perguntando agora: ele deveria estar no esporte quando as pessoas vaiam ele?"

Peaty defendeu seu compatriota. "O mais importante para um atleta é você ter direito a ter voz. Duncan compartilhou a sua voz, assim como fez o público. Então, é completamente justo", comentou o britânico.

A norte-americana Lilly King, campeã dos 100 metros peito, também defendeu a atitude de Scott no pódio. "Os atletas começaram a se posicionar e a se manifestar sobre aquilo que acreditam", disse a atleta, que criticou a Fina por conta da advertência ao britânico.

"A Fina fez atualmente mais para repreender Mack Horton do que para advertir Sun Yang", declarou, referindo-se a outro episódio envolvendo o chinês neste Mundial. Após sua primeira vitória na Coreia do Sul, nos 400 metros livre, o australiano Mack Horton se recusou a tirar a foto com o chinês no lugar mais alto do pódio e não o cumprimentou na cerimônia de premiação. Horton e a federação australiana de natação foram advertidos pela Fina.

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