Flávia Oliveira sonha em pedalar nos Jogos Olímpicos do Rio

Aos 33 anos, ciclista é a melhor colocada do País no ranking mundial de estrada e tem resultados que podem levá-la à Olimpíada

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

18 de dezembro de 2014 | 07h00

Melhor colocada do País no ranking mundial de ciclismo de estrada, Flávia Oliveira tem resultados que podem levá-la aos Jogos do Rio, em 2016. Na 23.ª posição da lista e atual campeã brasileira, ela sonha alto. "Ainda mais quando olho para o ranking e vejo o número de excelentes atletas entre as 40 primeiras. Quero continuar subindo", diz a atleta de 33 anos, que começou tarde no ciclismo, aos 25 anos.

O primeiro esporte de Flávia foi a natação, em que começou por incentivo do irmão, Pedro Ivo. Ele superou a perda das pernas após o efeito colateral de uma vacina para poliomielite e se tornou para-atleta.

"Deu gangrena nas duas pernas dele. E nosso irmão mais novo morreu. Nós três tomamos a vacina no mesmo dia. Foi difícil crescer com esse tipo de coisa. Não fosse o esporte, não sei o que seria", conta.

Flávia começou a ter bons resultados na piscina, mas sofreu como uma tendinite, aos 15 anos, e saiu da modalidade. Dois anos mais velha, foi fazer intercâmbio nos EUA. Passou a jogar futebol e recebeu uma bolsa em uma universidade.

Nos EUA, encontrou o ciclismo. "Fui atleta a minha vida inteira, só não tinha achado o esporte certo. No Rio, onde eu cresci, é mais complicado pedalar. As pessoas perdem a vida por um relógio, imagina andar com uma bicicleta de R$ 5 mil."

Casada com um americano, Flávia viveu 15 anos na Califórnia e recentemente se mudou para o Colorado. Mas tem um pé na Itália, já que agora defende a equipe italiana Alé Cipollini Galassia, uma das melhores do mundo.

Uma característica importante da atleta é ser "escaladora", ou seja, tem força nas subidas. "Eu acho que a natação me deu essa capacidade respiratória e de perna. Tem gente que é melhor no sprint. Como sou pequena, tenho 1,50 m de altura, tenho facilidade nas subidas."

A ciclista espera que a boa fase continue até 2016, quando ela poderá representar o País nos Jogos do Rio se continuar bem colocada no ranking mundial. "Seria legal poder competir em casa. Sonho muito com essa Olimpíada e quero que vire realidade, para mim e para meu irmão. Ele é meu ídolo e meu super herói, e fã número 1. Ele é motivo de eu ser atleta e um exemplo para mim. Se for metade do que ele foi, estarei feliz", conclui.

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