Gaspar Nóbrega/ COB
Gaspar Nóbrega/ COB

Fora do pódio em Tóquio, Robert Scheidt diz estar com 'alma lavada', mas evita projetar Paris-2024

Bicampeão olímpico, velejador brasileiro se despede da classe Laser em competições

Redação, Estadão Conteúdo

01 de agosto de 2021 | 04h46

Sem conseguir subir ao pódio em sua sétima Olimpíada, Robert Scheidt não escondeu a decepção neste domingo, nos Jogos de Tóquio. Mas o velejador de 48 anos disse estar de "alma lavada" por ter dado o seu melhor. Ainda digerindo a oitava colocação geral na classe Laser, ele evitou projetar sua participação em Paris-2024, indicando que precisaria trocar de classe para poder competir na França.

"Acho que agora estou meio frustrado, não velejei bem. É um orgulho representar o meu País. Sétima Olimpíada, guardo memórias de cada disputa, de cada conquista. Queria ter terminado com uma medalha, mas esporte é assim, se você não aproveita suas oportunidades os outros aproveitam. Saio com a alma lavada, com a sensação de que fiz a melhor preparação que podia", declarou o velejador.

Dono de cinco medalhas olímpicas, sendo dois ouros, Robert Scheidt não quer fazer planos para o futuro no momento. Porém, indicou que deve mudar de classe porque a Laser é uma das que mais exigem fisicamente do velejador. "Não dá para pensar em Paris agora. Na classe Laser dificilmente vou continuar, é um barco que vai morar no meu coração para sempre. Vou continuar velejando porque é o que eu amo fazer, mas em termos de Olimpíada é difícil dizer", declarou.

O experiente atleta fez uma breve avaliação da sua trajetória olímpica, em tom de despedida. "Quando comecei na vela nunca imaginei que chegaria em sete participações. Foi uma história linda. Aproveito para agradecer minha família, ao COB (Comitê Olímpico do Brasil), CBVela (Confederação Brasileira de Vela), todos os fisioterapeutas, patrocinadores, meu técnico. Foi um trabalho de muitas pessoas para me colocar aqui com chances e a gente cumpriu. Esporte é assim, importante ter feito o melhor que podia."

Scheidt é o maior medalhista do Brasil na história da Olimpíada ao lado de Torben Grael. Considerado uma lenda do País, ele ostenta cinco medalhas olímpicas e disputou sua sétima edição no Japão. Foi ouro em Atlanta-1996 e Atenas-2004, prata em Sydney-2000 e Pequim-2008 (Star) e bronze em Londres-2012 (Star). No Rio-2016, bateu na trave ao obter um quarto lugar.

Sobre a regata deste domingo, a chamada "medal race", o brasileiro apontou erros na largada e também em disputas ao longo da semana. "Após o terceiro dia comecei a cometer alguns erros não forçados. E cheguei hoje com alguma chance de medalha, mas previsando de uma matemática complexa", analisou.

"A correnteza (neste domingo) estava jogando contra o vento e empurrando os barcos para fora na linha de largada. Tinha de ser atento para não escapar antes do tempo. Acabei fazendo uma largada não perfeita, o barco alemão estava perto de mim. As condições foram justas, vento de 12 nós para definir as medalhas, com menos vento daria mais chance para o azar ou para alterar alguma coisa", comentou.

MODALIDADE

Entenda um pouco mais da vela nos Jogos Olímpicos, de suas regras e equipamentos. O Brasil, com o próprio Roberto Scheidt, mantém tradição nesse esporte. O Estadão preparou uma série de informações sobre todas as modalidades olimpícas. 

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