Franceses usarão broche para protestar contra os Jogos

Atletas e ex-atletas adotam a medida para pedir a liberdade do Tibete por parte dos chineses

Agência Estado,

04 de abril de 2008 | 20h08

A França saiu na frente na iniciativa de se manifestar durante a Olimpíada em favor dos direitos humanos no Tibete. Nesta sexta-feira, um grupo de 20 ex-atletas e atletas, alguns deles classificados para os Jogos de Pequim, apresentaram a proposta de usar um broche com a inscrição "por um mundo melhor". A idéia foi concebida, após semanas de reflexão, como protesto contra o desrespeito aos direitos humanos no Tibete, pela China, sem desrespeito à Carta Olímpica, que não permite propaganda racial, política e religiosa durante os Jogos, sob pena de expulsão do atleta da competição. A idéia agora é consultar o Comitê Olímpico Internacional (COI) para obter autorização para o uso do acessório em Pequim. "A situação na China é, certamente, intolerável. Posso assegurar que é insuportável para nós esportistas", disse o bicampeão olímpico de canoagem, Tony Estanguet. "Os princípios da Carta Olímpica estão entre as mensagens mais belas que o esporte deu à humanidade. Este ano vamos celebrar o espírito olímpico em um país que não respeita tais princípios, pelo menos não completamente", afirmou o lançador de dardo Romain Mesnil. O protótipo do broche do protesto foi apresentado pelo ex-judoca David Douillet - bicampeão olímpico -, que integra a comissão de atletas do Comitê Olímpico Francês. PROTESTOSBernard Faure, comentarista de atletismo da France Televisions, anunciou que não irá a China em protesto contra a política do país no Tibete. "Cada um deve decidir sua atitude, com sua consciência. Não irei, mas não há porque impedir os atletas de irem", disse o ex-esportista, que trabalha como analista de provas de atletismo há 19 anos. "Foi um erro dar os Jogos à China. Foi como dar um cheque em branco extraordinário para todos os excessos cometidos." A tocha olímpica chegou nesta sexta a São Petersburgo, na Rússia, terceira etapa do revezamento. É grande a expectativa quanto a possíveis manifestações pró-Tibete nos próximos dias. Londres será escala da tocha neste domingo. Na seqüência, o artefato vai para Paris, onde protestos são esperados.

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