Francisco Musa, tri brasileiro e líder do ranking, se diz vencedor

Francisco Musa, tri brasileiro e líder do ranking, se diz vencedor

Cavaleiro mineiro trabalhou duro por vinte anos em haras até conseguir comprar seu cavalo e poder treinar regularmente

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

18 de outubro de 2014 | 17h00

 Seletivas no Brasil, seletivas no exterior, critérios objetivos, critérios subjetivos...Não é nada fácil entrar para a equipe brasileira de saltos nos Jogos Olímpicos, nem mesmo para alguém como Francisco José Mesquita Musa, tricampeão brasileiro e atual líder do ranking brasileiro sênior top. Aos 36 anos, o cavaleiro continua perseguindo de forma ferrenha esse objetivo. Porém, mesmo que ele jamais seja alcançado, Musa já se considera amplamente realizado. E é fácil entender o motivo.

O tricordiano (natural de Três Corações, Minas Gerais) conseguiu entrar num mundo reservado para poucos. Neto de um militar da cavalaria e filho de um funcionário público, Musa não fazia parte da elite que pode sonhar com o hipismo. “Eu não tinha dinheiro, nenhum, nenhum”, lembra ele.

A paixão pelos cavalos foi herdada do avô, que saltava na Escola de Sargentos das Armas, em Três Corações. Francisco começou a montar aos 12 anos de idade. Porém, em vez de treinar, foi preparar cavalos em haras. Ele trabalhou nessa função por 20 anos. A oportunidade de comprar seu próprio animal apareceu de forma fortuita: o dono do haras morreu num acidente aéreo, e o plantel foi leiloado. Musa arrematou o animal que monta até hoje, o Première Xindoctro Método, por R$ 40 mil, pagos de forma bem incomum no meio do hipismo: em 24 prestações.

“O Xindoctro era mais barato por ser um cavalo novo, ainda em formação. Como eu o tratava, resolvi apostar nele. Achava que era um cavalo talentoso, com força e limpeza, que é a vontade do próprio animal de não tocar os obstáculos. E, acima de tudo, é corajoso, porque não é fácil enfrentar obstáculos com 1,60m de altura”.


Hoje, Xindoctro vale uns 300 mil euros, e Musa fatura uns R$ 100 mil anuais em premiações, que não vão integralmente para o seu bolso – parte se destina aos proprietários dos outros animais que também monta.

“Eu cheguei bem mais longe do que esperava. É inegável que este é um esporte de elite. É difícil para cavaleiros que não são desta classe social chegarem aqui. Há alguns casos, mas são poucos”, admite Musa.

O trabalho em haras foi a vitrine para Musa. “Começaram a ver que eu tinha talento e foram me dando oportunidades, diz o cavaleiro, que compete neste domingo na grande final do Grand Prix CSI-W Indoor, na Sociedade Hípica de São Paulo (Rua Quintana, 206, Brooklyn). O início da disputa será às 14h30, e o desempate começa às 18h.

“Esse é um torneio tradicionalíssimo. Todo cavaleiro quer ter o título do Indoor no currículo”, diz Musa, que venceu a edição de 2010. O Indoor vale também como seletiva da Liga Sul-Americana para a Copa do Mundo de 2015, em Las Vegas.

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