Amr Abdallah Dalsh / Reuters
Amr Abdallah Dalsh / Reuters

'Futebol feminino não acaba aqui', diz Marta após eliminação do Brasil em Tóquio

Jogadora, no entanto, não quis comentar sobre seu futuro na seleção depois da queda nas quartas de final dos Jogos Olímpicos

Ricardo Magatti, Estadão Conteúdo

30 de julho de 2021 | 08h56

A eliminação do Brasil para o Canadá nos Jogos Olímpicos de Tóquio nesta sexta-feira marca o fim de um ciclo do futebol feminino brasileiro em Olimpíadas e acende o alerta para que a modalidade não seja esquecida no País. Marta, eleita seis vezes a melhor do mundo e uma das maiores da história, reforçou, em entrevista após a partida, o pedido para que as mulheres continuem sendo apoiadas e que haja mais incentivos para que a modalidade prospere no Brasil. Sobre o seu futuro na seleção, ela preferiu não responder. O Brasil caiu nas quartas de final, primeiro mata-mata após a etapa de grupos.

"Temos de continuar apoiando a nossa modalidade porque o futebol feminino não acaba aqui. O futebol feminino continua e eu espero que as pessoas tenham essa consciência e não saiam apontando o dedo para ninguém", salientou a camisa 10, emocionada. "Aqui não tem culpado. Fizemos o que estava ao nosso alcance. Não faltou nada. Faltou a bola entrar. Estou muito orgulhosa da equipe e do que a gente viveu. Nem sempre o melhor ganha".

A meio-campista saiu de campo com o sentimento de tristeza, naturalmente. Tristeza potencializada pelo fim de um ciclo. Ela evitou comentar sobre seu futuro na seleção feminina, mas lamentou que não poderá brigar por mais uma medalha com a incansável Formiga, que se despede da seleção após sete olimpíadas.

"Estou com a cabeça a mil, vou deixar essa resposta (sobre a seleção) para depois. Não dá para dizer nada no momento, estou muito emocionada", justificou-se, em relação à sua aposentadoria ou não. Marta está com 35 anos e já vinha sendo substituída nos fins das partidas para ser poupada.

"Obviamente fica o gosto de que podíamos mais. Agradeço demais a Formiga por tudo o que ela fez nesses anos todos. Gostaria de viver aquela emoção de novo de poder lutar por uma medalha com ela", lamentou a camisa 10. "É uma pessoa que tanto ajudou a modalidade e é a inspiração para essas meninas na seleção. Uma vida dedicada ao esporte. Ela poderia ter tido um final mais feliz, mas ela é uma guerreira e isso me orgulha demais".

Sobre o jogo, Marta fez a avaliação de que, embora a equipe não tenha chegado a Tóquio com o peso do favoritismo, poderia ter ido além das quartas de final. O desempenho frustrante no Japão repete a campanha de Londres-2012, quando a equipe também parou nas quartas.

"Tem dias que as coisas não funcionam. Senti que começamos bem, tivemos possibilidade de abrir o placar. Faltou um pouco mais de paciência no terço final do campo. Poderíamos ter aproveitado melhor as chances principalmente na prorrogação porque elas estavam mais cansadas que a gente. Mas é coisa do futebol", analisou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.