Pascal Rossignol|Reuters
Pascal Rossignol|Reuters

'Ganhar a Olimpíada em casa é um sonho', afirma Marcelo Melo

Duplista número 1 do mundo não teme pressão de jogar em casa

Entrevista com

Marcelo Melo

Nathalia Garcia, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2015 | 17h00

Marcelo Melo é o primeiro brasileiro desde Gustavo Kuerten a assumir o posto de número 1 do mundo. Após o ATP Finals, o mineiro conversará com Bruno Soares para consolidar o planejamento da dupla até 2016 na busca pela inédita medalha olímpica. Em entrevista ao Estado, ele diz que a parceria é “premiada” por disputar os Jogos em casa, mas vê os irmãos americanos Bob e Mike Bryan – ouro em Londres/2012 e bronze em Pequim/2008 – como favoritos.

A Olimpíada tem a mesma importância que um título de Grand Slam?

Os jogadores estão muito motivados a ir ao Brasil. É uma competição especial para qualquer atleta, de qualquer modalidade. Para o tênis não é diferente. Ganhar uma medalha olímpica é uma oportunidade a cada quatro anos. No nosso caso, ganhar no Brasil é um sonho ainda maior.

Para você, a pressão de jogar em casa é motivadora ou opressora?

Muito mais motivadora. Eu vou tentar encarar como se fosse uma Copa Davis. A gente está acostumado a jogar em casa, com a torcida presente. Se a gente conseguir pensar assim, vai ajudar muito.

Você vê a sua dupla com o Bruno Soares como favorita por jogar em casa?

Não, eu não considero. Os irmãos Bryan são a melhor dupla da história e, mesmo jogando no Brasil, ainda os vejo como favoritos.

Com os seus últimos resultados, o ouro fica mais próximo?

Eu e o Bruno acreditamos que poemos ir muito bem. Temos bons resultados jogando juntos na Davis. Na Olimpíada de Londres, fomos às quartas de final. Mas a gente sabe que é muito duro. São outras duplas difíceis. Federer vai jogar com Wawrinka, Berdych e Stepanek provavelmente vão jogar juntos...

Como é disputar uma Olimpíada ao lado do Bruno, seu ex-parceiro?

A gente se conhece há muito tempo, tivemos bons resultados. Ganhamos de várias duplas difíceis e sabemos que é um momento especial para ambos. Jogar a Olimpíada no próprio país é uma oportunidade para poucos, fomos teoricamente premiados.

A amizade de vocês ajuda?

Com certeza. A gente pode conversar de qualquer assunto que esteja acontecendo durante o jogo ou mesmo fora para diminuir o nervosismo e a ansiedade. É importante ter essa abertura de poder falar o que pensa e saber que aquilo é em prol da dupla.

Você e o Bruno já definiram quais torneios jogarão juntos em 2016?

Ainda não. Vamos fazer a programação quando acabar o (ATP) Finals, período em que a gente decide o calendário do ano que vem.

Como foi a decisão de continuar jogando com o Ivan Dodig e não retomar a parceria fixa com o Bruno?

Falei para o Bruno que não via motivo para terminar minha parceria com o Ivan, que estamos jogando o nosso melhor tênis, conquistamos um título de Grand Slam e foi a nossa melhor temporada. Esse título de Paris mostrou que tomei a decisão certa. O Ivan também está motivado. Foi uma decisão de continuar o que venho fazendo.

Quando a Olimpíada vai entrar de vez no seu planejamento?

A Olimpíada faz parte do nosso planejamento há algum tempo, com apoio do COB e da Confederação (Brasileira de Tênis). Viajamos algumas vezes com fisioterapeuta, estamos sempre com o treinador e o preparador físico. Estamos visando à Olimpíada, mas estamos colhendo bons frutos.

Você tem feito uso de tecnologia?

A gente tem um pessoal que faz análise de vídeo dos adversários para ver estatísticas. O banco de dados vem crescendo. Quando a Olimpíada chegar, estaremos bem munidos de informação.

A Olimpíada é em agosto. É uma época boa para o aspecto físico?

Acredito que sim. Agora está muito cedo para programar uma parte física para daqui a oito meses. Mas, como é a Olimpíada, a gente vai fazer uma preparação especial.

Depois do vice no ATP Finals do ano passado, você se vê em uma situação mais confortável por ser número 1 do mundo?

Jogar o (ATP) Finals era uma meta desde o início do ano. Chegar como número 1 do mundo é um pouco mais de pressão, mas é um torneio que eu e o Ivan sempre jogamos da melhor maneira possível.

Como tem sido essa preparação?

Vamos tentar economizar o máximo de energia porque estamos em final de temporada, otimizar os treinos para aproveitar essa boa fase. A gente está jogando melhor do que no ano passado, mas são os detalhes que decidem no tênis.

Como é terminar o ano na liderança do ranking individual de duplas?

É muito especial. Este ano realmente foi incrível. Ganhar um Grand Slam, virar número 1 e poder terminar o ano como número 1. Foi um combo de várias coisas realizadas em um período curto.

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