Gêmeos saem da França para reforçar a seleção

Daniel e Felipe Sancery nasceram em Campinas e foram com 4 anos para a Europa. Agora, dão um salto de qualidade ao time

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

23 de abril de 2016 | 17h00

Os gêmeos Daniel e Felipe Sancery chegaram há apenas quatro meses na seleção brasileira de rúgbi e estão na equipe de sevens e de XV. Aos 21 anos, ele fizeram um grande esforço para vestir a camisa dos Tupis e estão ajudando a equipe a ter um salto de qualidade. Eles não esperavam que em tão pouco tempo pudessem ocupar um espaço de destaque.

Nascidos no Brasil, com 4 anos de idade eles se mudaram com os pais para a França, onde começaram a praticar o esporte lá. “Jogávamos em uma equipe e o presidente da associação tinha o contato com o pessoal da CBRu (Confederação Brasileira de Rugby). Pedimos para enviar nosso currículo e fomos aprovados”, conta Felipe.

A fim de descobrir mais atletas, a CBRu espalhou a notícia de que estava em busca de jogadores que tivessem alguma descendência brasileira e que jogassem rúgbi. Foi assim que alguns talentos foram incorporados à seleção e isso ocorreu também com Daniel Felipe. “Nós nascemos em Campinas e nossa mãe é brasileira”, conta Daniel.

De tempos em tempos, os dois vinham ao Brasil para visitar a família. Geralmente era para as festas de final de ano. Com um pouco de sotaque, os dois falam português e conseguem se comunicar com tranquilidade com seus companheiros de time. “Fomos bem recebidos pelo grupo”, revela Daniel, ciente de que a dupla poderia ser vista com alguém que está vindo “roubar” a vaga dos brasileiros.

Mas a chegada dos dois ao elenco foi tranquila, assim como outros atletas que estão sendo integrados ao grupo nacional. Esses reforços têm ajudado o time a ter uma evolução, pois os jogadores acostumados a atuar em países mais tradicionais no rúgbi agregam experiência à equipe e competitividade.

“Jogar na França é bem diferente, é mais fechado que no Brasil. O técnico escolhe um esquema e você tem de cumprir aquilo até o fim. Já aqui o jeito de atuar é um pouco mais livre”, comenta Daniel.

Ele foi convocado pela primeira vez para a seleção para o Campeonato das Américas e fez sua estreia diante do Chile, em Santiago. Marcou pontos para o Brasil, assim como seu irmão Felipe. Depois, enfrentou ainda Uruguai, Canadá e Estados Unidos, e em todos os duelos Daniel pontuou. As boas atuações colocaram o rapaz na seleção da competição.

Se o estilo de jogo no Brasil é diferente do francês, a vida aqui também contrasta com o que eles tinham na Europa. Os dois interromperam os estudos na faculdade de Negócios para se dedicar ao rúgbi e não se arrependem. “As pessoas são mais bacanas aqui, as praias são lindas, o clima é ótimo. Vemos muitos atletas apaixonados e percebemos que o time está crescendo”, explica Felipe.

Como não poderia deixar de ser, eles colocam a participação nos Jogos Olímpicos do Rio como um dos objetivos, mas ainda não sabem se o pai e a mãe vão vir da Europa para assistir à competição. No semblante da dupla não há qualquer tipo de arrependimento pela mudança de vida. “Queremos estar na Olimpíada e depois vamos ter outras competições com o Brasil”, diz Daniel.

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