CLAYTON DE SOUZA|ESTADÃO | ESTADÃO CONTEÚDO
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Geração de 2020 traz medalhas do sul-americano

Brasileiros surgem como apostas para os próximos Jogos

O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2016 | 17h00

Beatriz Santos Ataíde não tem celular nem acesso à internet em casa. A mãe e o padrasto trabalham na agricultura de mandioca e cacau nas fazendas do sul da Bahia. Sua vida se divide entre a escola, onde cursa a 7ª série, e a canoagem, que virou seu lazer, esporte e projeto de vida. Os primeiros passos são promissores. Bia trouxe duas medalhas de bronze, nas provas de 1000 e 500 metros, do Campeonato Sul-Americano disputado em abril, no Chile. Foram suas primeiras internacionais. “Eu já havia conquistado medalhas no Brasil, mas tinha o sonho de conquistar uma medalha fora do País”, conta a atleta da categoria cadete (15 e 16 anos).

Especialistas apostam que ela será nome certo nas próximas convocações da seleção brasileira e deverá se consolidar como uma das promessas para os Jogos de 2020, que serão realizados em Tóquio. “Nossa vida tem muitas dificuldades e eu sinto uma alegria muito grande quando vejo a Bia com essas medalhas”, conta a mãe Patrícia Silva Santos.

Bia é tímida, fala olhando para baixo e escolhe as palavras com cuidado. Sua matéria favorita é Geografia, porque “fala de lugares diferentes e distantes”. Ela exibe com orgulho o uniforme que usou no Chile, anda com ele para cima e para baixo. “Meu sonho é conquistar novas medalhas”, resume.

Bia renova a tradição de atletas formados em Ubaitaba, mas se insere em um novo momento da canoagem mundial: a discussão sobre a igualdade de gênero. A Federação Internacional de Canoagem anunciou recentemente a inclusão da canoagem feminina de velocidade nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Atualmente, apenas o slalom feminino, descida em corredeiras, faz parte do programa olímpico – e o Brasil tem grandes chances com o caiaque de Ana Sátila.

Parênteses: a canoagem tem duas modalidades na Olimpíada, velocidade e slalom. São usados dois tipos de barco: a canoa, com um ou dois atletas; e o caiaque com um, dois ou quatro competidores. As provas de velocidade são divididas pelo tipo de barco: K-1, K-2 e K-4 (sendo K do inglês kayak) e 1 o número de atletas. A mesma regra é utilizada na canoa: C-1, C-2 e C-4. A canoagem de velocidade é a mais popular com percursos de 500m e 1000m na Olimpíada. A canoagem slalom é praticada em percursos de 250 e 300 metros. Os canoístas devem passar por 18 a 25 portas, com o menor número de erros no menor tempo.

A professora Camila Lima, que dá aulas de canoagem para crianças e adolescentes em Ubaitaba, também está neste contexto. Diversas vezes campeã brasileira, sul-americana e pan-americana e medalhista de bronze nos mundiais de 2010 e 2012, ao lado de Luciana Costa na prova C2 500 m, a atleta também sonha com 2020. Mas ainda precisa superar um drama pessoal. “Disputar uma Olimpíada é o sonho de todo atleta. Fiquei um ano sem treinar, porque perdi minha mãe em um acidente de carro, mas estou retomando minha forma aos poucos”, conta. “Quem sabe em 2020...”

O masculino também tem uma nova fornada de campeões. Sávio Santana teve 100% de aproveitamento e conquistou o ouro na prova dos C1 500m e C1 1000m no Chile. Recentemente, ele saiu de Ubaitaba para integrar a equipe permanente que treina em Curitiba.

Yuri Silva dos Santos, outra promessa da modalidade, foi prata no Campeonato Brasileiro também entre os cadetes. “Eu me sinto alegre e realizada. Esse é o futuro dele”, diz Fabíola Silva dos Santos, balconista e mãe de Yuri.

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