Ricardo Bufolin/CBG
Seleção brasileira feminina de ginástica artística busca classificação para Olimpíada Ricardo Bufolin/CBG

Ginástica feminina do Brasil busca vaga por equipe em evento-teste

Seleção brasileira deixou oportunidade escapar com 9º lugar no Mundial

Nathalia Garcia, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2016 | 05h00

Depois de deixar a classificação olímpica escapar com o 9º lugar no Campeonato Mundial de Glasgow, em outubro de 2015, a seleção brasileira feminina de ginástica tem a última chance de se garantir nos Jogos do Rio. Além do Brasil, Alemanha, Austrália, Bélgica, Coreia do Sul, França, Romênia e Suíça sonham com as quatro vagas restantes no Pré-Olímpico, que também serve como evento-teste, na Arena Rio.

O time - composto por Daniele Hypolito, Flávia Saraiva, Jade Barbosa, Lorrane Oliveira, Rebeca Andrade e Carolyne Pedro, de apenas 15 anos, que está no seu primeiro ano na categoria adulta - compete domingo, das 13h às 15h.

A coordenadora da seleção feminina da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), Georgette Vidor, está confiante no resultado. "Nós temos chances reais. Se nós passarmos com quatro provas corretas em cada aparelho, a gente não corre perigo. É quase impossível o Brasil não estar entre as quatro."

O País disputa a segunda das quatro sessões do domingo. Como a última subdivisão só termina às 22h, as brasileiras podem ter de aguardar até sete horas para saber o resultado final. Georgette encara a espera com naturalidade e diz ser possível fazer projeções de acordo com a pontuação da equipe. 

Apesar do risco de ficar fora dos Jogos do Rio, a coordenadora da seleção feminina destaca o lado positivo de precisar disputar a competição e relembra o ciclo olímpico de Londres-2012. Para ela, a prova deste fim de semana ajudará as ginastas brasileiras a ganharem ritmo de competição. "A equipe (em 2012) acabou não se preparando bem porque já estava classificada para a Olimpíada. E, em Londres, fizemos uma competição feia e sem grandes destaques. Essa disputa (no Rio) forçou as atletas a se prepararem bem. Classificando agora, a gente só tem como subir."

No masculino, o Brasil tinha direito de inscrever apenas dois atletas no evento-teste por já estar com a equipe assegurada na Olimpíada. Sem pressão, Arthur Zanetti e Sérgio Sasaki se apresentam neste sábado, a partir das 14h30. Será a estreia do campeão olímpico na temporada, enquanto o generalista volta a fazer uma competição completa, disputando os seis aparelhos. 

Depois de nem sequer chegar à final das argolas no Mundial no ano passado, Zanetti vai apresentar pela primeira vez sua nova série. Já Sasaki terá a oportunidade de impressionar os técnicos em seu retorno ao individual geral para tentar cavar um lugar na equipe olímpica. O ginasta voltou à ativa em março, no DTB-Pokal, em Stuttgart, na Alemanha, onde disputou apenas três aparelhos depois de ficar 16 meses longe das competições.

Renato Araújo, treinador-chefe da seleção brasileira masculina de ginástica artística, explica a formação da equipe: "A gente optou por levar o Sasaki porque tem de voltar a competir nos seis aparelhos. Se ele somar por volta de 87 pontos, já estarei muito satisfeito. E o Arthur Zanetti, que ficou fora essa primeira parte do ano. Ele e o Marcos (Goto) preferiram dar uma ênfase na nova série."

O evento-teste no Rio também conta com as disputas de ginástica de trampolim (19 de abril) e ginástica rítmica (21 e 22 de abril).

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'Me sinto muito melhor do que estava antes das lesões', diz Sasaki

Ginasta compete nos seis aparelhos no evento-teste do Rio

Entrevista com

Sérgio Sasaki

Nathalia Garcia, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2016 | 05h00

Décimo colocado no individual geral nos Jogos de Londres, em 2012, Sérgio Sasaki teve um caminho marcado por contusões neste ciclo olímpico. No evento-teste, que começa neste sábado, o ginasta se apresentará nos seis aparelhos. O objetivo é um só: provar aos técnico da seleção brasileira que merece uma nova chance na equipe olímpica.

Em 8 de janeiro de 2015, Sasaki passou por cirurgia no joelho direito para reconstruir o ligamento cruzado anterior e o menisco medial. Quando estava prestes a ser liberado, sofreu uma lesão no tendão longo do bíceps braquial do ombro direito, no dia 31 de julho, e precisou de outra operação. Em entrevista ao Estado, o atleta conta como buscou motivação nos 16 meses afastado das competições e se diz melhor do que antes das duas lesões consecutivas. Focado na Olimpíada do Rio, o ginasta admite: "Ainda tenho medo de não dar tempo."

Como você vê o evento-teste no Rio?

Estou um pouco nervoso para o evento-teste porque vai ser minha primeira competição no individual geral e pode me "garantir" na equipe. Quero mostrar para os técnicos que eu voltei bem para competir de novo entre os melhores. Estou me preparando bastante, acredito que vai dar tudo certo. Meu trabalho está muito bom.

Como foi o período em que ficou afastado por lesão? E qual a sua motivação de continuar?

Lesão é uma coisa que mexe muito com a sua cabeça. Desanima depois que você sofre a primeira lesão, mas tem uma certa esperança de voltar e dar a volta por cima. Quando você tem duas lesões seguidas, mexe muito com a sua cabeça. Eu tirava inspiração no que vivi, nas coisas que o esporte pôde me dar, isso me ajudou a voltar. Cada evolução me dava mais força para continuar.

Como está sua condição física?

Perdi uns 6 kg. Depois que você opera, acaba inchando. Até voltar à forma física, demorou um pouco. Hoje me sinto muito melhor do que estava antes das lesões. A vida que levava com o esporte não era a ideal, não fortalecia. Minha potência, minhas forças e minha qualidade de ginástica melhoraram pelo fato de eu ter me machucado. Tudo é um aprendizado.

Você ainda sente algum incômodo?

Incômodo não. Sinto fraqueza, mas nada que eu não consiga fazer os saltos. Trabalho todos os dias para eu me sentir mais confortável. Se eu vencer isso, de repente eu terei mais confiança para fazer as coisas na ginástica.

Você ficou com medo de não dar tempo de disputar a Olimpíada?

Eu tenho medo ainda de não dar tempo. Antigamente o medo era de 80%, hoje em dia esse medo diminuiu para 10%. Não tenho medo de que não dê tempo de chegar na Olimpíada, e sim de que não possa fazer o meu melhor. Acredito que posso ainda fazer muito pela ginástica. 

Como é a competitividade interna da equipe, especialmente com o Arthur Nory?

O esporte tem espaço demais para brilhar. A ginástica é um esporte por equipe, mas individual também. Estarei sendo hipócrita se falar que não quero ganhar dele porque ele é da minha equipe. E acredito que ele queira ganhar de mim também. Sendo saudável, tem de ter (competitividade) no esporte. Mas não é uma coisa que a gente viva pensando.

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