Governo chinês veta transmissões da TV em praça de Pequim

Impedimento é encarado como censura e redes ocidentais temem problemas durante a transmissão do evento

Jamil Chade, Correspondente - O Estado de S. Paulo

26 de março de 2008 | 16h44

A transmissão dos Jogos Olímpicos de Pequim para todo o mundo já se transforma em mais uma polêmica. O governo chinês avisou às emissoras que pagaram preço de ouro para ter os direitos que não vão poder transmitir da Praça Tiananmen, no centro de Pequim. Nesta semana, a TV francesa ainda insinuou que poderia tomar medidas se algum tipo de censura fosse aplicada durante os jogos pelos organizadores. As suspeitas das redes européias e americanas foram reforçadas nesta semana quando a TV chinesa cortou as imagens dos protestos de ativistas tibetanos durante a cerimônia com a tocha olímpica na Grécia. Já preparados para eventualidades, os chineses transmitiram o evento com alguns segundos de atraso e, ao verem os protestos, trocaram as imagens por paisagens da Grécia. Agora, as redes ocidentais receberam a notícia de que a TV chinesa poderia transmitir os jogos com atraso. A tática permitiria censurar imagens que o governo chinês não acredita ser adequada para sua população. Pequim também ja alertou que não permitirá que TVs façam durante os Jogos transmissões ao vivo da Praça Tiananmen, onde em 1989 centenas de estudantes teriam sido massacrados pelas tropas chinesas. Para muitos ativistas, o local seria uma plataforma ideal para protestos. No ano passado, o governo chinês garantiu que as transmissões ao vivo estariam liberadas a partir da Praça. Há poucos dias, diante dos protestos no Tibete, a autorização foi revista. Não é apenas o evento esportivo que está sendo controlado de perto. Há poucas semanas, a cantora Bjork lançou um grito de apoio ao Tibete ao final de seu concerto em Xangai. Desde então, todas as manifestações públicas estão sendo controladas. Já o diretor de esportes da rede France Televisions, Daniel Bilalian, insinuou que poderia rever seus planos de transmissão se algum tipo de medida de censura fosse imposta às tvs estrangeiras. O Comitê Olímpico Internacional (COI) estaria agindo nos bastidores para evitar a censura e garantir todas as tranmissões ao vivo. Mas, ainda assim,continua ignorando os protestos dos ativistas e, nesta sexta, promove em sua sede em Lausanne uma festa chinesa em homenagem à Pequim.  

Tudo o que sabemos sobre:
Pequim 2008China

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.