Handebol vê Olimpíada como 'tudo ou nada' para popularizar modalidade no Brasil

Esporte busca medalha de ouro para se promover

Demétrio Vecchioli, Estadão Conteúdo

31 de julho de 2016 | 17h34

Morten Soubak se lembra bem. Em 2011, a seleção brasileira feminina de handebol também disputou uma competição importante em casa. Nos primeiros jogos do Mundial, o Brasil jogava para um "gigantesco" ginásio do Ibirapuera vazio. Ninguém queria saber de handebol. Acreditava que brasileiro gostava de gol, mas descobriu que o que move o torcedor é vencer. À medida que a sequência vitoriosa avançava, o Ibirapuera foi ficando cada vez mais cheio. A lição aprendida pelo dinamarquês pressiona a equipe nos Jogos do Rio. Se quiser atenção, precisa vencer.

"Cada jogo chegava mais pessoas naquele ginásio gigantesco. Era técnico da seleção há dois anos e nunca tinha feio uma entrevista. As pessoas nem sabiam que existia uma coisa chamada handebol no Brasil. Essa divulgação ajudou muito a ser mais visto", avalia Morten, que, em 2011, levou o Brasil a um inédito quinto lugar no Mundial.

Os parâmetros hoje, claro, são outros. A seleção, campeã mundial em 2013, já conquistou a atenção da mídia, presente em bom número ao empate em 23 a 23 em amistoso com a Holanda, neste domingo à tarde, no Rio. O próximo passo é o pulverizar o handebol pelo País, apoiado nos clubes e nas escolas, a partir de uma medalha olímpica. No Rio-2016, será agora ou nunca.

"Depois da medalha do vôlei (em 1992), o vôlei conseguiu dar um salto muito grande. Espero que aconteça o mesmo com o handebol. Temos que aproveitar essa chance com unhas e dentes em prol da modalidade. Acredito muito que o salto vai acontecer se a gente medalhar", aposta a capitã do time, Dara, de 35 anos, que se aposenta da seleção depois da Olimpíada.

Ela, Dani Piedade, Alexandra, Ana Paula e Deonise formaram a base da melhor geração que o handebol brasileiro já teve. Todas elas encararam desbravaram o desafio de ir à Europa jogar e elevaram o patamar da modalidade. Agora, chegam à Olimpíada do Rio, possivelmente a última de todas elas, com a responsabilidade de fazer com que tudo não tenha sido em vão.

"A gente não quer ser conhecida com a geração que ganhou um Mundial, mas só", diz Dara, que garante que o grupo está trabalhando para que a pressão não pese demais. Afinal, não deveria ser só delas esse peso. "A gente assume a responsabilidade, mas deixando um recado. É triste que a nossa modalidade dependa do resultado para ter visibilidade. Tem que olhar depois, independentemente de qualquer resultado."

Mesmo as mais jovens, como a ponta Jéssica, de 25 anos, sabe que é agora ou nunca. "A medalha é o nosso sonho e a gente nunca teve tão perto desse sonho. Uma medalha vai ter um reconhecimento muito maior e ajudar em relação as crianças que estão começando agora. A Olimpíada vai ser fundamental para dar esse passo a mais."

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