Nelson Almeida|AFP
Jossimar Calvo conquistou uma medalha de ouro em São Paulo Nelson Almeida|AFP

Herói colombiano, Jossimar Calvo mostra seu potencial no Brasil

Atleta supera infância humilde para brilhar na ginástica artística

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2016 | 07h02

Com uma medalhas de ouro nas barras assimétricas na etapa de São Paulo da Copa do Mundo de Ginástica Artística, o colombiano Jossimar Calvo Moreno apresentou seu cartão de visitas aos brasileiros. Aos 21 anos, o atleta já é considerado o maior ginasta da história da Colômbia.

O reconhecimento nacional veio depois do desempenho histórico (três ouros e dois bronzes) nos Jogos Pan-Americanos de Toronto. Em agosto de 2015, o presidente Juan Manuel Santos batizou a lei de fomento ao esporte como Lei Jossimar Calvo. 

"É gratificante porque na Colômbia a ginástica e meu nome são reconhecidos. Penso que todos sabem da disciplina e do trabalho que tive para representar o país, é um mérito a tanta dedicação e esforço", exalta.

A perseverança e a gratidão caminham juntas na vida de Jossimar. O esporte deu oportunidade para o jovem de uma humilde família de Cúcuta, mas foi preciso muito empenho. Em homenagem ao apoio incondicional da mãe Nora, o ginasta fez uma tatuagem de seu rosto nas costas. "Minha mãe é uma pessoa especial, minha motivação. Graças a ela estou na ginástica, sempre esteve comigo e me ajudou", elogia.

Aconselhada por uma professora, Nora colocou o filho na ginástica aos 5 anos. Na infância, Jossimar adorava imitar os golpes de Jean-Claude Van Damme, protagonista de filmes de luta de Hollywood. "Esse personagem foi uma motivação para mim porque comecei a aprender as bases da ginástica. Fui gostando mais e cada vez queria treinar mais forte", recorda.

Jossimar também teve de aprender a lutar para superar as dificuldades financeiras e seguir no esporte de alto rendimento. Vivia em uma casa bem simples no bairro Belisario Betancur até 2011, quando brilhou nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara e ganhou uma nova moradia para a família. "Venho de um extrato social muito baixo. Quando pequeno, às vezes não tinha dinheiro para o transporte e para a comida, meu treinador e outras pessoas foram me ajudando. A ginástica me ajudou também a ter uma situação melhor", explica. 

Nos Jogos Olímpicos, o atleta - candidato a porta-bandeira da Colômbia - quer deixar Nora orgulhosa. Mas Jossimar, que terá a concorrência do ídolo Kohei Uchimura no individual geral, não fala em medalha: "Gostaria de conseguir um bom resultado, representar muito bem o meu país, já que é a minha primeira Olimpíada."

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.