SUZANNE PLUNKETT | REUTERS
  SUZANNE PLUNKETT | REUTERS

Holanda quer pintar Deodoro de laranja no hóquei sobre a grama

Bicampeãs do hóquei sobre a grama vão lutar por feito histórico

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

31 de março de 2016 | 07h00

Por seis décadas, o hóquei na grama teve o domínio de Índia e Paquistão. Os indianos chegaram a ganhar seis medalhas de ouro olímpicas consecutivas, rivalizando com os paquistaneses, donos de três ouros e três pratas.

LEIA TAMBÉM >

Na disputa feminina, desde Pequim-2008 o domínio é da Holanda. Lideradas por Lidewij Welten, as holandesas venceram todos os jogos que disputaram nas duas últimas olimpíadas. E com um detalhe: Lidewij Welten vai desembarcar no Rio com apenas 26 anos.

Com 1,69 metro e 61 quilos, Welten é muito rápida e finaliza muito bem. Seu talento foi logo reconhecido e sua primeira convocação para a seleção nacional veio aos 15 anos de idade. Ela soma 128 jogos pela seleção e já conquistou dez títulos.

Em Pequim-2008, disputou a Olimpíada com apenas 13 jogos internacionais e foi um dos destaques da competição. Em 2014, durante o mundial disputado em Haa, na Holanda, jogou com um mão quebrada, para delírio do público a cada jogada.

O ano de 2015 não foi vitorioso para a seleção holandesa, que terminou em quinto lugar na Liga Mundial e com o vice-campeonato europeu, mas mesmo assim Welten foi escolhida pela Federação Internacional de Hóquei na Grama como a melhor jogadora do mundo.

Welten tenta diminuir um pouco o favoritismo holandês, apesar da proximidade do inédito tricampeonato olímpico. “Não acho que nós somos tão favoritas assim para a conquista do ouro no Rio. Temos várias seleções com condições de nos impor um jogo muito duro durante a competição. Cabe a nós treinar o máximo possível e jogar forte desde a primeira partida”. A camisa 12 da Holanda se refere às seleções da Argentina, Alemanha, Austrália, Nova Zelândia e China.

Bonita, assim como quase todo o time holandês, Welten brincou ao falar da disputa nos Jogos do Rio a partir de agosto. “Sei que o hóquei sobre a grama não possui tradição no Brasil, mas acho que os brasileiros poderão se interessar pelo esporte, pois, em alguns momentos, se assemelha com o futebol.”

No fim do ano passado, a seleção holandesa esteve no Complexo de Deodoro para treinar e conhecer o local das competições de hóquei na grama nos Jogos Olímpicos. “Gostei muito do campo e também da região, que possui uma paisagem muito bonita”, disse Welten.

O hóquei sobre a grama começou a ser disputado nos Jogos Olímpicos em Londres-1908. Saiu do programa olímpico em Estocolmo-1912, retornou em Antuérpia-1920 e, por falta de estrutura, deixou de participar em Paris-1924. Com a criação da Federação Internacional de Hóquei, a modalidade retornou em Amsterdã-1928 para não sair mais.

A primeira disputa no hóquei sobre a grama feminino ocorreu em Moscou-1980 e teve Zimbábue como campeão. Com três conquistas, Seul-1988, Atlanta-1996 e Sydney-2000, a Austrália é a maior vencedora. Se vencer no Rio-2016, a Holanda se iguala às australianas, sendo que sua conquista será consecutiva. Se depender de Welten, pode começar a comprar tinta para mudar a cor do Complexo de Deodoro. “Queremos pintar tudo de laranja.”

Notícias relacionadas

Encontrou algum erro? Entre em contato

Las Leonas querem ouro inédito em Olimpíada no hóquei

Seleção feminina argentina soma quatro pódios seguidos

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

31 de março de 2016 | 07h00

A Argentina vai tentar buscar nos Jogos Olímpicos do Rio a inédita medalha de ouro no hóquei sobre a grama feminino. Desde Sydney-2000, que Las Leonas frequentam o pódio. Foram prata na Austrália e em Londres-2012. Já em Atenas-2004 e Pequim-2008 terminaram em terceiro lugar na competição. O bom nível internacional nos últimos anos anima ainda mais as argentinas a conseguir no campo do Complexo de Deodoro o primeiro lugar no pódio. Las Leonas ganharam a Liga Mundial 2014-15 e ficaram com o terceiro lugar no Mundial de 2014, na Holanda.

O destaque do time é Delfina Merino, que começou a jogar aos 5 anos de idade, devido à paixão dos pais pelo esporte. Está na seleção desde 2009. Soma 65 gols em 200 jogos disputados. Apesar da dedicação à seleção argentina, Delfina divide seus tempo com os estudos na Universidade de Buenos Aires, onde estuda Direito.

Delfina terá um problema para manter os bons resultados da seleção argentina em olimpíadas: a aposentadoria de Luciana Aymar, grande líder da seleção, que abandonou os campos depois de Londres-2012. Para exemplificar a importância do hóquei de grama na Argentina, Luciana Aymar carregou a bandeira do país na cerimônia de abertura dos Jogos de Londres há quatro anos.

Apelidada de “Bruxa”, Luciana Aymar foi eleita oito vezes a melhor jogadora do mundo.

“Ser uma ‘Leona’ traz uma satisfação muito grande. É como fazer parte de um grande time de futebol, basquete, vôlei”, disse Luciana Aymar. “Toda jogadora que veste nossa camisa sabe da responsabilidade e do dever de conquistar grandes resultados. Tenho certeza de que nossa tradição será mantida.” A renovação argentina ganhou um revés na final do Pan de Toronto no ano passado, quando as Leonas perderam para os Estados Unidos, por 2 a 1, como já haviam perdido em Guadalajara-2011.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.