Hotéis de Pequim registram cancelamento em massa de vagas

Torcedores de todo mundo estariam sendo desencorajados de assistir aos Jogos pelo rigor do governo chinês

Ansa

14 de julho de 2008 | 15h16

A 25 dias da abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, os hotéis da capital chinesa continuam registrando cancelamentos em massa de suas reservas, informou o jornal taiwanês China Post. Os quartos vazios desmentem os anúncios de "sem vagas" e os preços quadruplicados anunciados poucos meses atrás. Na realidade, os hotéis de primeira classe estão com 75% da capacidade reservada e os hotéis quatro estrelas, com 50%, segundo dados da Secretaria de Turismo de Pequim. Os únicos a não sofrerem com o problema são os hotéis que se encontram nos chamados "hutong", os bairros históricos de Pequim. Chamando os turistas com "descontos especiais" estão, sobretudo, os hotéis três estrelas e de categoria inferior com, respectivamente, apenas 30% e menos de 10% dos quartos reservados para o período das Olimpíadas, de 8 a 24 de agosto. O mesmo vale para os apartamentos, já que muitos dos pequineses que haviam programado se transferir para algum outro lugar em agosto para poder alugar o próprio apartamento, acabaram permanecendo na cidade. A capital dispõe de 336 mil quartos de hotel para acolher os 500 mil visitantes estrangeiros, além dos 1,6 milhões de visitantes chineses previstos. No entanto, as estimativas podem estar muito otimistas. Em maio, algumas companhias aéreas européias cortaram a freqüência dos vôos semanais para a China e aumentaram os protestos das pessoas que tiveram o visto de entrada negado, informou o jornal de Hong Kong, South China Morning Post. As autoridades divulgaram que possuir um ingresso para os Jogos não assegura o visto de entrada. Para se obter um visto de negócios ou turístico são necessários: uma carta de convite, a reserva do hotel ou o contrato de aluguel de um apartamento, uma passagem aérea e uma conta ativa em um banco chinês com um depósito "congelado" de 800 yuans (cerca de 75 euros) para cada dia em que se planeja permanecer no país. Desse modo, é cada vez maior o número de torcedores que decidem acompanhar os Jogos pela televisão, desencorajados pelo rigor do governo chinês que visa reforçar as medidas de segurança após os protestos internos e internacionais que nos últimos meses ameaçaram a "estabilidade" do país.  

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