China Daily/Reuters
China Daily/Reuters

Hypolito: 'Ainda estou me beliscando para ver se é verdade'

Ginasta, que era segundo reserva da equipe brasileira, festeja reviravolta que culminou em medalha no Mundial

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2014 | 13h18

Diego Hypolito voltou da China com um sorriso escancarado e um bronze que parece tê-lo acontentado tanto quanto as duas medalhas de ouro que já conquistou em Mundiais de ginástica artística. A consagração em Nanning foi inusitada. Às vésperas do embarque, o ginasta nem sabia se ia viajar, pois era o segundo reserva da equipe, atrás de Pétrix Barbosa e de Caio Souza. Mas os dois se lesionaram, abrindo espaço para o veterano contribuir para a sexta colocação do Brasil na competição por equipes e depois alcançar a terceira colocação no solo.

Hypolito foi preterido por não ter desempenho homogêneo em mais de um aparelho, o que é importante para elevar a pontuação na competição por equipes. Depois de protestar pelas redes sociais ao tomar conhecimento de que era reserva, ontem o ginasta preferiu não alimentar nenhuma polêmica.

"Isso é sempre uma decisão dos treinadores. Fico feliz por fazer parte da equipe. Só fiquei sabendo que ia competir duas horas antes da competição. Fiquei feliz e nervoso, mas tratei de me controlar, porque se fosse mal, aí é que estaria fora mesmo das competições seguintes. Consegui controlar minha emoção e energia e consegui uma nota muito alta no solo. Fiquei muito feliz de o Brasil ficar em sétimo lugar na fase de classificação comigo na equipe e depois ficar em sexto comigo na equipe. Eu me beliscava para ver se era real", disse Hypolito, fazendo questão de repetir e enfatizar sua participação. "Depois, na final do solo, meu objetivo era passar alegria. Eu queria estar feliz e brincar. Eu brinquei", disse o atleta, que padeceu de depressão durante o período de um ano e três meses em que ficou sem clube, treinando de favor no Pinheiros, após a demissão do Flamengo.

Há três meses, Hypolito foi incorporado à equipe da ASA de São Bernardo, à qual atribui importância decisiva para a reviravolta. "Esta é a primeira medalha desta nova fase de São Paulo, com novo clube, novo técnico (Fernando Lopes, ocupando o posto que era de Renato Araújo). Estou voltando às origens", afirma o ginasta, que viveu muitos anos no Rio, mas nasceu em Santo André.

Aos 28 anos, e com cicatrizes de dez cirurgias espalhadas pelo corpo, Hypolito nega que planeje a aposentadoria para logo depois da Olimpíada do Rio. "Estão dizendo que vou me aposentar na Olimpíada, mas eu não vou parar. Se consegui me manter inteiro com fisioterapia, vou continuar por mais duas Olimpíadas pelo menos", diz o ginasta, que pretende fortalecer o desempenho nos outros aparelhos para cavar um lugar de titular na equipe. "Já estou treinando mais os outros aparelhos. É bom lembrar que botei nota na equipe nas paralelas. Mas agora é hora de curtir a nossa classificação por equipes, a minha medalha e a medalha do Tutu (Arthur Zanetti)".

Por falar em Tutu, Zanetti chegou mais contido do que o companheiro de equipe. O bicampeão mundial não se disse frustrado por não ter conquistado o ouro desta vez - ele foi campeão olímpico em 2012, mundial em 2013. Em Nanning, ficou com a prata. "De maneira nenhuma me sinto frustrado. Isso até me dá uma motivação a mais, de saber que preciso me dedicar mais para voltar ao primeiro lugar", disse Zanetti, que está trabalhando uma série com nível mais alto de dificuldade. "Eu só não executei essa série porque ela requer mais treino para sair perfeita". 





  




Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.