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Ícones de uma geração, Murilo e Serginho se despedem no Rio

Veteranos motivam e protegem os mais novos na seleção

Antonio Pita, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2016 | 07h00

Dois ícones do vôlei brasileiro, Serginho e Murilo, treinam para a Olimpíada do Rio, em agosto, em tom de despedida. Com mais de dez anos na seleção, sempre sob o comando do técnico Bernardinho, são os veteranos que motivam o time e transmitem a experiência necessária para lidar com as pressões pela conquista do décimo título da Liga Mundial, em junho, após três anos sem grandes conquistas.

Dos 18 convocados em abril para a temporada de treinos antes das competições, apenas seis já participaram de uma Olimpíada. Murilo, aos 35 anos, está na terceira disputa. Serginho, conhecido como Escadinha, com 40 anos, disputará sua quarta competição. “É de perder o ar”, descreve o jogador considerado o melhor líbero da história do esporte.

Os dois participaram da era de ouro do vôlei no País, quando, entre 2003 e 2012, a seleção ganhou sete títulos da Liga Mundial, um ouro e duas pratas olímpicos e uma série de outras competições internacionais. Agora, dividem a responsabilidade de evitar que a pressão da vitória em casa recaia sobre os novatos.

“Nós construímos isso. Nós e os torcedores estávamos acostumados a ganhar, por isso as derrotas incomodaram bastante. A torcida já esgotou ingressos. Temos a responsabilidade de conquistar a medalha para o País. Mais pressão do que isso a gente não precisa”, comenta Murilo. “A gente aprendeu com nossos ídolos, Giovani, Maurício, e passa para quem está chegando”, completa.

Para Serginho, a convivência no centro de treinamento em Saquarema, cidade na Região dos Lagos fluminense, é fundamental. “Eles começam a entender o que é a seleção.” Líder em quadra, ele é quem mais motiva os colegas no treinamento. “Eles têm que treinar mais do que eu, se dedicar muito mais. Não pode ser menos. Não admito”, disse em tom sério para, em seguida, descontrair. “Eles estão se ferrando comigo, por que estou com 40 anos e continuo voando.”

Após duas cirurgias no ombro direito – a última em 2014 –, o desafio é maior para Murilo . “As minhas condições hoje não são as mesmas de dez anos ou de Londres (Olimpíada de 2012)”, disse o meio-de-rede. Mas, mesmo assim, se dependesse dele, não pararia. “Ficaria aqui para sempre, todo jogador quer ficar. Mas me preparo para que este ano seja o fechamento de um ciclo”, afirmou Murilo.

Também para Serginho a despedida, apesar de desejada, é difícil de explicar. “É a última (Olimpíada)”, repete diversas vezes. “Tinha o sonho de ser jogador de vôlei, mas hoje meu sonho é parar. Preciso parar de qualquer jeito, preciso! Amo o que faço, mas já estou respirando por aparelhos”, brinca.

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