Lucy Nicholson/Reuters
Lucy Nicholson/Reuters

Imbatível, Bolt já mira novo recorde mundial para a prova de 200 m

Jamaicano ganha a 10ª medalha de ouro em Mundiais de Atletismo e promete dar show nos Jogos Olímpicos do Rio

O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 07h00

Se na disputa dos 100 m o jamaicano Usain Bolt teve o norte-americano Justin Gatlin bem próximo, na prova de 200 m o campeão olímpico sobrou e manteve a hegemonia com seu quarto título seguido no Mundial de Atletismo (de 2009 a 2015). Após a vitória, o corredor avisou que pode ser ainda mais rápido, mirando até mesmo superar seu próprio recorde mundial dos 200 m, de 19s19. “Sem dúvida que posso. Estou pronto. Se puder ter uma temporada sem lesões, não há problema. Vou chegar em grande forma no Rio e quero baixar os 19 segundos”, disse.

Na final, ele largou um pouco mal e entrou na reta não muito à frente de Gatlin. O norte-americano chegou a dar a impressão de que poderia passar, mas era o jamaicano que estava em aceleração maior. A cada passada a vantagem aumentava. Quando faltavam cerca de 20 metros para a linha de chegada, Bolt relaxou. Antes de completar a prova, já batia no peito para comemorar o tetracampeonato, com o tempo de 19s55, o melhor da temporada e o quinto melhor resultado dele na carreira.

As declarações de Gatlin, antes da prova, de que poderia superar o jamaicano na sua especialidade, ajudaram a mexer com os brios de Bolt, que sofreu com lesões no ano passado e não vinha tendo bons desempenhos. “Ele disse durante a semana que iria trazer algo especial para a prova dos 200 m. Você não fala assim dos meus 200 m. Então tive de provar a ele que eu sou o número um”, avisou.

Antes do duelo Bolt entendia que o adversário poderia incomodar. “Eu estava preocupado, sabia que teria de correr os primeiros 150 metros bem. Fiz isso e quando olhei em volta eu vi o Gatlin cansado. Aí eu não tive mais dúvidas que venceria.”

Gatlin, por sua vez, admitiu que perdeu a prova porque o jamaicano utilizou a mesma tática que ele. “Meu plano era para sair do trecho de curva atacando e pressionando. Acho que ele copiou a minha estratégia, pois quando a curva acabou ele estava bem ali do meu lado, correndo forte.”

Com o resultado, Bolt atingiu a incrível marca de dez ouros no Mundial de Atletismo, um recorde. Também está a duas medalhas de alcançar a velocista jamaicana Merlene Ottey, que fez grande sucesso nas décadas de 1980 e 90 e tem 14 medalhas no total – Bolt tem 12. 

“Vencer os 200 m significa muito para mim. Talvez algumas pessoas duvidassem da minha capacidade, mas eu nunca tive dúvidas”, explicou o atleta que vai tentar mais uma medalha, desta vez no revezamento 4 x 100 m. As baterias vão ocorrer na madrugada de sexta para sábado, à 1h20 da manhã.

E na próxima edição ele poderá ampliar sua incrível marca. Bolt admite a possibilidade de participar do Mundial em 2017. “Meu treinador me disse que se eu não for correr com seriedade o próximo Mundial, melhor que eu não vá. Mas tudo vai depender de como me encontrarei depois do Rio”, afirmou.


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