Felipe Rau|Estadão
Felipe Rau|Estadão

Comitê Paralímpico tem dúvidas sobre gestão do novo CT em São Paulo

Cerimônia de assinatura do decreto não atingiu expectativa do CPB

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2016 | 14h05

A cerimônia que marcava o inicio das atividades do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo, acabou ficando marcada por uma saia-justa entre o governo do Estado de São Paulo e o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). O evento contou com as presenças do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, de Leonardo Picciani, o novo ministro do Esporte, de Aldo Rebelo e Ricardo Leyser, ambos ex-ministros do Esporte, e de Andrew Parsons, presidente (CPB).

A expectativa do CPB era ter a gestão do espaço para usar as instalações modernas, mas Parsons saiu frustrado da cerimônia de assinatura do decreto. "A gente veio aqui para um momento de celebração, de início de trabalho. A gente sai daqui com muita dúvida sobre o nosso papel na gestão do cento de treinamentos e nosso relacionamento com o governo do Estado de São Paulo", afirmou Parsons.

O dirigente não quis se alongar na resposta e evitou fazer mais comentários sobre o assunto, mas a secretária estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Rizzo Battistella, afirmou que não percebeu qualquer constrangimento entre CPB e governo do Estado. Ela indicou que será preciso esperar a publicação do decreto, mas que ele contará com o termo de "permissão de uso" para a CPB. A secretária ainda lembrou que após a Paralimpíada será feito um chamamento público para que surjam propostas para o CT e espera que a CPB participe. "O governo tem que trabalhar com transparência", disse.

A CPB está disposta a utilizar R$ 30 milhões anuais na gestão do espaço em recursos advindos da Lei Piva. A entidade tem receita estimada em R$ 130 milhões. Porém, com o imbróglio sobre quem vai gerir de fato o espaço, a entidade está com dúvidas sobre se vai fazer todos o investimento necessário com equipamentos porque não sabe quem tomará conta do espaço no futuro.

O Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro é considerado o principal legado dos Jogos Paralímpicos do Rio para a infraestrutura dos esportes adaptados no País. A instalação, pioneira no Brasil, conta com espaços para treinamentos, competições e intercâmbios de atletas e seleções. A expectativa é de que ele também permitirá o desenvolvimento das ciências do esporte, com atuação interdisciplinar, envolvendo medicina, fisioterapia, psicologia, fisiologia, biomecânica, nutrição e metodologia do treinamento, entre outras áreas.

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