Silvia Izquierdo/AP
Silvia Izquierdo/AP

Investigação no doping ataca comissão de Ética formada por Nuzman

Condições sob a qual operava a comissão não eram nem transparentes, aponta informe dos investigadores

JAMIL CHADE / CORRESPONDENTE EM GENEBRA, O ESTADO DE S.PAULO

15 de janeiro de 2016 | 14h13

Investigadores que apuraram a corrupção e doping na Federação Internacional de Atletismo (IAAF) criticaram o comportamento do órgão de controle interno da entidade mergulhada no escândalo. A comissão é formado pelo brasileiro Carlos Arthur Nuzman. 

No informe publicado pelos investigadores, a IAAF é acusada de manter uma “corrupção enraizada”, promover a extorsão de atletas, comprar votos e mesmo ameaçar dirigentes.  Apesar dessa situação, a Comissão de Ética da IAAF não agiu e apenas começou a punir seus dirigentes em 2015, quando a polícia já os havia indiciado. 

"Apesar da criação da Comissão de Ética ter sido um bom passo, as condições sob a qual operava não eram óbvias e nem transparentes", disse o informe. "Parecia impossível para a Comissão de Ética compartilhar informação sob sua posse com o Comitê de Inquérito", criticou. 

Nuzman foi eleito para a entidade em janeiro de 2014, ao lado de outros membros internacionais. No Rio de Janeiro, hoje, disse que não iria comentar o caso da suspeita de compra de votos por Tóquio para os Jogos de 2020. "É uma questão que a gente não acredita, não trabalha com isso. Não vou comentar uma colocação dessas da qual eu não tenho maior conhecimento, maior vivência disso", afirmou Nuzman

Os investigadores, porém, admitiram que a Comissão formada por Nuzman condenou quatro funcionários. Mas só depois que a polícia passou a examinar os casos. 

Em seu primeiro informe, produzido em novembro, Dick Pound apontou que a Rússia estaria patrocinando um esquema de doping liderado pelo próprio governo. Agora, o documento ainda lança dúvidas sobre os diversos dirigentes da federação, inclusive seu atual presidente, Sebastian Coe, organizador dos Jogos de Londres de 2012. Vice-presidente da IAAF por sete anos, ele teria feito parte da cúpula da entidade enquanto os crimes estavam ocorrendo. Ontem, insistia que não sabia de nada.

Para os investigadores, “não há como imaginar que a cúpula da IAAF não soubesse” do que ocorria. Os dirigentes, assim, teriam sido peças fundamentais para manter atletas nas competições, atrasar testes e ainda exigir dinheiro dos esportistas em troca de silêncio. 

No centro dos escândalos está Lamine Diack, presidente da entidade e que, segundo a investigação, pediu dinheiro em troca de favores por parte dos russos na tentativa de abafar casos. Assim como ele, Gabriel Dollé, ex-diretor da divisão anti-doping, estão sendo investigados pelo Ministério Público da França. 

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