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Invictas, meninas do vôlei enfrentam a enfraquecida China

Equipe asiática perdeu três jogos na primeira fase

Antonio Pita e Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

16 Agosto 2016 | 05h00

A campanha imbatível da primeira fase traz confiança, mas não euforia. As jogadoras de vôlei mantêm o pé no chão para enfrentar o primeiro desafio eliminatório dos Jogos Olímpicos, nesta noite, contra a China, classificada em 4.º lugar em seu grupo. Jovens e velozes, as chinesas venceram o último confronto contra o Brasil, em julho, e têm a seu favor à experiência da técnica Lang Ping, considerada a melhor jogadora do século 20.

“Nenhuma jogadora tem essa de ficar deslumbrada, achando que já está ganho. Estamos muito conscientes e focadas”, disse a bicampeã olímpica Thaísa. “Agora começa outro campeonato. Engana muito elas não terem jogado bem na fase classificatória. Londres é um exemplo claro”, lembrou.

Em 2012, a seleção terminou a primeira fase em último lugar e só se classificou por uma combinação de resultados. O começo difícil deu força para a equipe se superar em quadra e ganhar o ouro.

“Quando o time passa por situações difíceis e consegue sair, normalmente sai mais forte”, pondera o técnico brasileiro José Roberto Guimarães. “A China começou mal, mas é extremamente perigosa. No Grand Prix perdemos de 3 a 0 para esse time. Tomamos um couro, nem vimos a bola. É um cruzamento cruel, pode preparar o coração”, alertou.

A preocupação é com a velocidade das adversárias e sua habilidade na defesa. Para o técnico brasileiro, o time tem demonstrado “adaptação” contra o estilo de jogo das oponentes. “Dificilmente um time cai tanto de produção, mas depende muito da qualidade do time que tem do lado de lá”, completou.

A China perdeu três jogos na primeira fase e tem a segunda pior campanha até aqui, à frente apenas da Coreia. Mas o time jovem, com média de 24 anos, ficou em segundo lugar no último campeonato mundial, em 2014. E tem como trunfo a experiência da técnica Lang Ping, eleita a melhor jogadora do século 20 pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB).

FORÇA FEMININA

“Apesar de ser uma seleção jovem, a equipe mostrou todo o seu potencial à resiliência na primeira fase”, sinalizou Lang. Ela foi medalhista de ouro em 1986, como jogadora, e tem prata e bronze no currículo como treinadora, além de diversos prêmios pela carreira nos EUA, Europa e China.

“Acho que fiz o meu melhor, não trabalho pela medalha de ouro, mas por fazer diferença para as garotas. Essa é a minha experiência, o que motiva em continuar sendo técnica”, disse. Nesses 30 anos, diz, o vôlei ganhou mais potência e novas regras, como a função de líbero. “Só não mudou a paixão.”

Em uma Olimpíada marcada pela força das mulheres, Lang é a única a comandar uma seleção de vôlei. “É uma pergunta que me faço, por que não há outras mulheres aqui?”, disse, em tom de crítica. “No nosso país, não temos tantas mulheres nas universidades, como nos Estados Unidos. Tenho esperança que no futuro tenhamos muitas outras mulheres.”

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