Alex Brandon/AP
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Iraniano campeão do tiro esportivo em Tóquio é acusado de fazer parte de divisão terrorista

Javad Foroughi, de 41 anos, foi denunciado por grupo de direitos humanos do país e pode perder sua medalha de ouro

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2021 | 16h19

O atleta do tiro esportivo do Irã, Javad Foroughi, venceu a competição com pistola de ar de 10m nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no último sábado. Porém, esse não foi o fato mais relevante do dia. Algumas horas depois de sua conquista, o 'Unidos por Navid', grupo iraniano que briga por direitos humanos no país, acusou o medalhista de ouro de ser integrante de uma organização terrorista. Ele se tornou o primeiro medalhista olímpico da história do Irã na modalidade e é o mais velho da delegação, com 41 anos.

Um pedido para que o Comitê Olímpico Internacional abra inquérito sobre seu passado foi feito. Eles também pedem que o órgão suspenda a medalha do esportista, assim como todas as suas conquistas na carreira. Ele, que faz parte das forças armadas de seu país, é membro da Guarda Revolucionária Islâmica, vista pela CIA, Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, como grupo terrorista. 

Segundo nota do Comitê Olímpico Internacional (COI), todos os atletas olímpicos "se adequam a regras internacionais que validam a participação em competições." Apesar de muitos atletas serem integrantes das forças armadas, o 'Unidos por Navid' crê que essa não é uma boa justificativa para absolver seu compatriota. Caso não haja uma investigação imediata, o grupo afirmou que a Comissão de Ética do COI será "cúmplice da promoção do terrorismo e de crimes contra a humanidade". 

Masih Alinejad é a líder do grupo defensor dos direitos humanos, que conta com outros atletas. Ele foi criado no ano passado após a execução do lutador Navid Afkari, condenado pelo governo iraniano por assassinato de um segurança e formação de grupo rebelde. Para seus integrantes, o país já violou os direitos humanos e a Carta Olímpica em mais de uma oportunidade, por isso creem que o COI e a Fifa deveriam suspender a delegação iraniana de competições oficiais. 

Durante esses Jogos de Tóquio, a nação asiática vem sofrendo pressão da entidade olímpica devido a casos em que atletas são proibidos de enfrentar israelenses em competições. Quanto a punições, apenas a Federação Internacional de Judô deu uma sanção de quatro anos ao Irã em abril por uma situação igual ocorrida em 2019. 

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