JIM YOUNG | REUTERS
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Irlandês é a pedra no sapato do boxe brasileiro no Rio

Atual campeão mundial na categoria dos galos é o grande rival de Robenilson de Jesus na luta pelo ouro

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2016 | 05h00

Michael Conlan é um dos obstáculos do boxe brasileiro na busca da inédita medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio. Atual campeão mundial, o irlandês, de 24 anos, é o grande rival do brasileiro Robenilson de Jesus na briga pelo primeiro lugar na categoria dos galos. “Quero ser lembrado como o melhor esportista de meu país em todos os tempos. Para isso, é obrigatório que eu consiga grandes conquistas e a medalha de ouro no Rio é um dos meus objetivos”, disse o pugilista, que ficou com o bronze em Londres-2012 entre os moscas.

Treinado pelo pai e irmão mais novo de Jamie Conlan – pugilista profissional invicto com 16 vitórias que está perto de disputar o cinturão mundial dos supermoscas – Michael Conlan tem uma característica incomum na nobre arte. Ele sabe lutar tanto como destro como canhoto com a mesma eficiência. A técnica incomoda a maioria dos adversários, que não sabem qual a tática a ser usada pelo irlandês durante um duelo. Jabs, cruzados e diretos são desferidos com precisão e força.

Além disso, Conlan é muito perigoso no contra-ataque, e sabe “cortar” o ringue como poucos em busca de seu rival. Sabe encurralar o rival nas cordas e desperdiça poucos ataques.

Seu estilo é simples mas muito eficiente. O golpe de esquerda na cintura tem uma precisão cirúrgica e é quase sempre acompanhado de uma direita em direto no rosto que serve para abalar definitivamente o adversário. Toda essa técnica é recheada por um preparo físico impressionante. A vitória sobre Robenilson no Mundial do Catar, em Doha, ano passado, foi conquistada de “virada”.

O brasileiro ficou na frente na pontuação para dois dos três jurados ao final do primeiro round. Mas a partir do segundo, Conlan imprimiu um ritmo impressionante. Empatou o combate no segundo assalto e foi buscar o triunfo ao final do terceiro. Dois jurados apontaram o boxeador europeu como vencedor e outro deu empate. Resultado justo.

“Michael amadureceu como lutador. Vai chegar no Rio em sua melhor forma. Posso dizer que estará imbatível. O ano de 2016 será marcado para nossa família como o ano em que dois irmãos ganharam o ouro olímpico e o título mundial no profissional”, disse John Conlan, pai de Michael e Jamie. O treino de Michael começa religiosamente às 5h, independentemente do tempo em Belfast. No inverno, a temperatura abaixo de zero é desprezada. “Nada vai fazer eu perder a concentração em busca do primeiro lugar nesta olimpíada”, disse o pugilista.

VENEZA E FACULDADE

Depois do Rio, Conlan planeja viajar para Veneza, na Itália, cidade que sonha conhecer desde pequeno, onde pretende festejar a conquista olímpica. Já o estudo na faculdade de Direito vai ter de esperar. “Tudo vai depender do que eu vou querer para o futuro. Uma segunda medalha de ouro em Tóquio-2020 ou o cinturão mundial entre os profissionais. Os estudos vão ter de ficvar para um pouco mais tarde.”

Tanta confiança só é abalada quando Conlan vê pela frente, mesmo que por vídeo ou fotografia, uma cobra. "Eu as odeio." Não custa nada Robenilson de Jesus transitar pelo Rio com uma “amiguinha” para tirar a concentração do irlandês.

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