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Isaquias busca outro feito histórico no Rio-2016 neste sábado

Ele pode se tornar o primeiro brasileiro a conquistar 3 medalhas na mesma Olimpíada

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2016 | 05h34

Aos 22 anos, o canoísta Isaquias Queiroz pode se tornar hoje o primeiro atleta brasileiro a conquistar três medalhas na mesma Olimpíada. Às 9h22, com o parceiro Erlon de Souza, ele vai disputar a final dos 1.000 metros em duplas masculinas, no Estádio de Remo da Lagoa. Em agosto de 2015, a dupla brasileira foi campeã da prova durante o Mundial de Milão.

Isaquias já protagonizou dois feitos históricos nestes Jogos. Na terça-feira, tornou-se o primeiro canoísta brasileiro a subir ao pódio olímpico, ao conquistar a medalha de prata na categoria individual 1.000 metros. Dois dias depois, ficou com o bronze na categoria individual 200 metros e se tornou o quinto brasileiro a ganhar duas medalhas na mesma Olimpíada. Antes dele, só os atiradores Afrânio da Costa e Guilherme Paraense, em Antuérpia-1920, e os nadadores Gustavo Borges (Atlanta-1996) e Cesar Cielo (Pequim-2008) haviam conseguido esse feito.

Ontem, Isaquias e Erlon se classificaram para a final da prova de 1.000 metros vencendo a primeira eliminatória em 3m33s269, o melhor tempo entre as 11 duplas. O segundo lugar coube aos alemães Sebastian Brendel e Jan Vandrey, que disputaram a segunda eliminatória e ganharam com o tempo de 3m33s482 – 213 milésimos a mais que os brasileiros. Para vencer o Mundial de 2015, os brasileiros haviam cravado 3m38s836. Na semifinal, fizeram 3m31s. A variação se deve a características do local de prova.

Os alemães serão os principais adversários dos brasileiros hoje. Brendel já conquistou o bicampeonato olímpico na prova individual de 1.000 metros, em que Isaquias foi prata.

Público. Embora já fosse um vencedor, até o início da Olimpíada, Isaquias não era muito conhecido pelo público, já que a canoagem não é esporte popular no País. A situação mudou depois das duas medalhas: por onde passa, o canoísta é identificado e abordado pelos torcedores. Simpático, Isaquias não se recusa a atender ninguém.

Após conquistar a segunda medalha na competição, ele foi abordado por tantos torcedores que os seguranças decidiram retirá-lo por uma saída diferente da usada pelos demais atletas. Com capacidade para cerca de 7.000 pessoas, o Estádio de Remo da Lagoa deve lotar hoje. Na quinta, o público chegou em cima da hora longas filas se formaram na entrada.

O parceiro de Isaquias, Erlon de Souza, tem 25 anos e também nasceu na Bahia – Isaías em Ubaitaba, ele, em Ubatã. Começou a remar por diversão, mas decidiu se tornar atleta e já se sagrou campeão mundial.

“A gente torce muito um pelo outro. Quando ele está na água a gente está vibrando muito, torcendo pela medalha. Foi o que aconteceu: já temos duas medalhas, agora, vamos correr atrás da terceira. A gente tem muita fé de que vai vir”, disse Isaquias.

Doping. O canoísta moldavo Serghei Tarnovski, de 19 anos, que conquistou a medalha de bronze na prova individual dos 1.000 metros, foi flagrado em um exame antidoping realizado antes da Olimpíada e suspenso ontem pela Federação Internacional de Canoagem (FIC). A entidade inicialmente informou que havia cassado a medalha de bronze conquistada pelo atleta, mas depois voltou atrás. Em nota, a Federação afirmou: “O resultado da final do C1 1000 m vai ser mantido como havia sido anunciado até que terminem os trâmites jurídicos relativos a este caso”. Passados os prazos, a medalha deve ser transferida ao russo Ilia Shtokalov, que ficou em quarto lugar.

Isaquias comentou o caso: “Ele fez uma coisa errada e, mesmo tomando alguma coisa, não foi capaz de ganhar de mim e do Brendel. Fico muito triste por estar acontecendo isso na canoagem, mas espero que ele possa voltar nos próximos anos e volte limpo”

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