Lee Jin-man/ AP
Lee Jin-man/ AP

Isaquias dedica ouro a Jesús Morlán e se aproxima dos recordistas Torben Grael e Robert Scheidt

Canoísta havia prometido ao treinador espanhol, morto em 2018, a busca pelo lugar mais alto do pódio

Paulo Favero, enviado especial/ Tóquio, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2021 | 02h30

O brasileiro Isaquias Queiroz vibrou com a conquista de sua primeira medalha de ouro nos Jogos Olímpicos, a quarta na carreira. Ele venceu em Tóquio a prova de C1 1.000m com uma boa distância do segundo colocado, o chinês Liu Hao, e somou aos três pódios que obteve na Rio-2016, duas pratas e um bronze.

Com o feito na raia de Sea Forest, ele ficou a apenas uma medalha dos recordistas brasileiros, os velejadores Robert Scheidt e Torben Grael, que somam cinco pódios olímpicos no currículo. Até por isso, Isaquias vê os Jogos de Paris, em 2024, como uma boa oportunidade para igualar ou até superar os esportistas.

"Vou ser obrigado a ter que ir para Paris para brigar por mais duas medalhas. Agora é ir pra casa, me casar, curtir as férias e começar a pensar em Paris. Volto a repetir, não vou a Paris a passeio, vou para fazer o que fiz aqui: brigar pelas medalhas e representar bem o País", disse o canoísta, que pretende viajar para Cancun com sua mulher e também ter um período de descanso em Ubaitaba, na Bahia, seu terra natal.

"Estou muito feliz de ganhar essa medalha de ouro para mim e para a canoagem do Brasil. Queria muito, me dediquei bastante e conquistei meu objetivo. Conseguimos representar nosso querido treinador Jesús Morlán, que conquistou nove medalhas com essa aqui de hoje", comentou o brasileiro.

Ele confessa que tinha prometido a medalha a Morlán, espanhol que promoveu uma revolução na canoagem brasileira, mas morreu em novembro de 2018. A partir daí, o auxiliar Lauro de Souza Júnior assumiu os treinamentos e quando ficou em quarto lugar na prova de C2 1.000m em Tóquio, muita gente achou que a medalha no individual da canoagem velocidade seria complicada. Mas Isaquias deu show e passou na frente na linha de chegada.

"O objetivo aqui eram duas medalhas, porque a gente tinha esse pacto com o COB, com o Lauro, com Jesus Morlán, para transformar em 10 medalhas dele. Ele não pôde estar aqui, mas a gente veio com esse objetivo. A medalha de ouro significa muito. No Rio não veio, mas o Lauro deu continuidade ao trabalho dele e conseguimos. Sabíamos desde o início que essa medalha era minha, não tinha como ninguém tomar de mim. Mostrei isso na semifinal e na final", avisou.

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