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Isenção fiscal nos Jogos do Rio chega a R$ 195 milhões

COI termina quadriênio olímpico com receita recorde de R$ 18 bilhões

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

12 Agosto 2016 | 05h00

Os organizadores dos Jogos Olímpicos receberam isenções fiscais no valor de R$ 195 milhões até o final de junho. Até o término do evento, esses valores devem aumentar de forma importante. 

Os dados fazem parte de um informe oficial do Comitê Rio-2016 divulgado depois que o Ministério Público Federal passou a exigir que os organizadores abram suas contas para garantir a transparência financeira do evento. Os contratos dos Jogos e os gastos foram mantidos em sigilo, apesar de um pedido da Procuradoria. A Rio-2016 alegou que, por ser empresa privada, não abriria todas as suas contas.

Ainda que a Rio-2016 insista que não conta com recursos públicos para o evento, ela se beneficia de leis que permitem a suspensão de impostos. A entidade organizadora deixou de pagar R$ 5,3 milhões em IPI até o final de junho. Mais R$ 155,9 milhões deixaram de ser recolhidos de Cofins e R$ 33,8 milhões em PIS.

Com orçamento de R$ 7,6 bilhões, a Rio-2016 tem enfrentado sérios problemas financeiros. Nas últimas semanas, passou a cortar alguns dos serviços previstos, mas o acúmulo de incidentes, a necessidade de obras na Vila dos Atletas e outros problemas acabaram exigindo mais recursos.

Uma das formas encontradas para superar os problemas será o uso de mais R$ 270 milhões que virão dos governos federal e municipal para fechar as contas da Paralimpíada, evento que ocorrerá após a Olimpíada. Em manobra financeira, o dinheiro será antecipado para que cubra os custos do atual evento.

Se a Rio-2016 vai deixar de pagar quase R$ 200 milhões em impostos, o COI termina seu quadriênio olímpico com uma receita recorde de R$ 18 bilhões. Uma parte dos recursos, cerca de US$ 1,5 bilhão, foi repassada aos organizadores brasileiros. Mesmo assim, a entidade termina o ciclo de 2016 com uma renda inédita. 

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