Ricardo Bufolin/Pinheiros
Ricardo Bufolin/Pinheiros

Joanna Maranhão: 'A gente está mais para Alemanha nesse 7 a 1'

Pernambucana exalta preparação da equipe brasileira de natação

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2016 | 07h00

Com índice nos 200 metros medley e 400 m medley, Joanna Maranhão vai ao Troféu Maria Lenk para assegurar a vaga na quarta Olimpíada da carreira. Experiente, a atleta não teme sentir pressão nos Jogos Olímpicos em casa e mostra confiança no desempenho da natação brasileira no Rio.

"Eu não entendo muito de futebol, mas pelo que eu li a Alemanha fez um trabalho de muitos anos para chegar ali. A natação brasileira também teve um trabalho de muitos anos. A gente está mais para Alemanha nesse 7 a 1 do que o Brasil, pode ter certeza", diz a nadadora, remetendo à vergonhosa derrota da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo de 2014.

Joanna entra na piscina hoje com leveza. A pernambucana precisou de 11 anos para superar a marca dos 4min40s00 nos 400 metros medley, obtida nos Jogos de Atenas, e fica aliviada com essa transposição. Apesar da vontade de descobrir o seu limite, a obsessão pelo relógio deu lugar aos sentimentos. "Não estou trabalhando com tempo, estou trabalhando mais com sensações - felicidade, plenitude, saber lidar com a dor."

A brasileira se vê muito mais forte e rápida que nas últimas três edições dos Jogos Olímpicos. "É como se eu tivesse agora a faca e o queijo na mão. Vamos ver como vou saber aproveitar esse banquete que está disponível para mim." 

A natação deu a Joanna os melhores e também os piores momentos de sua vida. Vítima de abuso sexual do ex-treinador durante a infância, abalo psicológico, ataques de pânico e até duas tentativas de suicídio marcaram a vida de Maranhão, que foi a quinta mulher mais rápida do mundo nos 400 metros medley em Atenas, aos 17 anos. Foi preciso cerca de dez anos para ela reencontrar a motivação no esporte. 

Para ela, as dificuldades viraram aprendizado. A atleta até imagina que já teria se aposentado se o sucesso tivesse sido constante em sua carreira. "Se aquele resultado meteórico de Atenas tivesse se configurado como uma medalha olímpica, já teria parado de nadar. Agradeço tudo o que passei, principalmente os momentos ruins - de crise de pânico, de não querer nadar - foi importante para eu estar aqui hoje."

A atleta do Pinheiros garante não se arrepender das decisões que comprometeram o seu desempenho no passado. "Respeitei quem eu era e o que eu sentia em cada momento, inclusive nos momentos de imaturidade, em que não estava sendo a atleta mais correta, não estava querendo ou não estava podendo treinar por uma questão psicológica", afirma.

A Olimpíada do Rio deve ser a última de Joanna Maranhão. Ela, entretanto, titubeia e evita cravar a aposentadoria neste ano. "Eu tenho até medo de falar que é a última e depois de quatro anos estar aqui de novo: 'Vou para Tóquio'. Mas está passando muito rápido esse ano, não queria. Eu até sofro um pouquinho de pensar que em dezembro acaba tudo. Vamos esperar."

 

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