Jogos 2008: China recusa diálogo com Anistia Internacional

Governo chinês alega 'não envolver esportes com política' para escapar de debate sobre diretos humanos

Efe,

15 de janeiro de 2008 | 09h55

O Governo chinês recusou nesta terça-feira a proposta de diálogo da Anistia Internacional (AI) para a realização esta semana na Holanda de uma mesa de diálogo sobre direitos humanos e Jogos Olímpicos, argumentando que Pequim "se opõe a qualquer tentativa de politizar os jogos". A AI, uma das organizações mais críticas em relação à China, tinha proposto um encontro na quinta-feira, dia 17, no Parlamento holandês (com sede em Haia) para falar de esporte, Jogos Olímpicos e direitos humanos, entre autoridades chinesas e membros da ONG. Diante da iniciativa, a porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores chinês Jiang Yu afirmou que "algumas organizações se empenham em vincular assuntos políticos aos jogos para manchar a imagem de Pequim 2008", e acrescentou que esses movimentos "estão fadados ao fracasso". A porta-voz afirmou que a China se comprometeu a garantir o sucesso do evento, "pois é o desejo do mundo inteiro", e assegurou que misturá-los com política "contraria o espírito olímpico". Jiang aproveitou para afirmar que "nenhum país é perfeito em matéria de direitos humanos", e nos 30 anos de reforma e abertura da China foram alcançados grandes progressos no tema. A AI e outras organizações, como China Human Rights Defenders (CRD) e Repórteres Sem Fronteiras (RSF), acusaram a China de promover uma intensa perseguição contra a dissidência política, que aumenta à medida que se aproximam os Jogos Olímpicos de Pequim. A detenção no final de dezembro de Hu Jia, ativista defensor dos direitos dos soropositivos e crítico da política ambiental de Pequim, revoltou as organizações, que pediram sua libertação e o fim da perseguição à dissidência. Sobre o caso Hu Jia, a porta-voz Jiang Yu afirmou nesta segunda-feira que "nenhum cidadão tem privilégios, todos são iguais perante a lei", e prometeu que o caso do famoso dissidente será tratado de acordo com a lei nacional, acrescentando que Hu é suspeito de "ter cometido ofensas". Hu é oficialmente investigado por "incitar a subversão contra o Estado", delito que as autoridades chinesas costumam acusar os presos políticos. A esposa do dissidente, Zeng Jinyan - outra famosa ativista pelos direitos humanos - continua em prisão domiciliar.

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